A aritmética da vida

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

A vida é uma escola, um curso intensivo, cheio de matéria para aprender.

Um dia, predispus-me a ser aluna, a ter a melhor nota possível! Um dia, decidi que, em cada pedaço de vida, eu ia formar-me uma pessoa melhor.

A primeira lição que aprendi: a vida não é matemática, a vida não é ciência exata. Não há fórmulas perfeitas, contas certas, resultados científicos e inalteráveis.

Ainda assim, sou uma conta fácil de fazer. Sou a soma de todos os afetos, mesmo aqueles que já cá não estão, mesmo aqueles que subtraí ou se subtraíram aos meus dias. Até esses me acrescentaram ao resultado.

Sou a divisão constante entre a menina e a mulher, entre a força e a fragilidade, entre o querer e o sentir, entre o sorriso rasgado e a lágrima fácil, entre a gargalhada barulhenta e o silêncio profundo, entre a pressa do ir e a calma do ficar.

Sou os medos que se multiplicam. Somem-lhe as fraquezas, subtraiam-lhe a coragem e dividam tudo pelos dias em que partes de mim não sabem ainda o que querem ser.

Na equação do sentir, dou-me sempre ao cubo. É essa a minha raiz, grande demais para ser quadrada.

Não há aritmética capaz de traduzir a fórmula do meu amor. Às vezes, sou excesso de entrega. Outras vezes, sou defeito em desapego. Mas, no fim de contas, nunca o meu coração ficou negativo! Saio sempre a ganhar, porque cada parcela de mim esteve lá, em número inteiro!

Ainda me falta aprender muita matéria. Ainda me restam horas e horas de estudo. Há cadeiras a repetir. Há notas a melhorar. Há professores que ainda estão por chegar.

A vida não é ciência exata… Talvez por isso, em vez de números, tenha escolhido as palavras!

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ANABELA MATA, a bella
Ela é uma mulher ativa, vegetariana e adepta da vida saudável. Por isso, adora cozinhar, dançar, viajar e, sim, escrever — para ginasticar as emoções. Escreve com o coração: esse, que sente, ama, sofre, é feliz. Adora sorrir. Quase se poderia dizer que ela é a Bella porque é assim que vê a vida.