Por favor, levem-me ao mar

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje, sentei-me nesta areia ainda quente. Sempre gostei de assistir ao pôr do sol na praia, enquanto a brisa me beija o rosto. Foi aqui que nos conhecemos. Ainda te lembras, meu amor? Este mar foi nosso desde o princípio. E hoje é teu.

Diz-me, meu amor: esperas por mim do outro lado deste mar?

Sempre quis saber o que há desse lado, mas esse horizonte sempre foi uma incógnita.

Sabes, meu amor, só há pouco tempo perdoei o mar por te ter levado naquela tarde. Durante anos, não pisei, nem por um segundo, esta areia. Repudiava este mar onde nos tornamos íntimos e apaixonados. Enraivecia por esta partida que nos foi imposta pela vida.

Mas tu ensinaste-me a perdoar, a não viver frustrada com o que não posso, de maneira alguma, alterar. E eu não posso alterar as circunstâncias externas à minha vida. Posso apenas aprender a lidar com elas.

Eu aprendi a lidar com a tua ausência. Fiz as pazes com o mar e, todos os dias, venho cá falar contigo, para te lembrar que ainda te amo. Vou amar-te sempre, meu amor.

E, quando a vida me levar, por favor, que me levem ao mar, para podermos continuar a nossa história de amor desse lado. Quando a vida me levar, por favor, que me levem para ti e que este mar volte a ser, irremediavelmente, nosso.

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RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.