Não podemos fazer com que alguém nos ame

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Fotografia © Leandro Mancino | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Leandro Mancino | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Eu fiz tudo o que podia. E, inclusive, fiz mais do que devia. Hoje, tenho consciência disso e acredito nisso.

Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance. Dei-te tempo, carinho e amor. Dediquei-me totalmente a ti. E mais não poderia ter feito, porque dei-te tudo o que tenho. Dei-te tudo o que sou. E, mesmo assim, nada foi suficiente para ti.

Nada te fez acreditar em mim, acreditar num “nós”. Nada te fez dar-me uma oportunidade. Nada te fez confiar numa possibilidade de uma vida diferente. Continuaste fechado no teu mundo.

E, apesar de tudo — de todas as horas, de todas as conversas, de todos os passeios de carro ao fim do dia, de todos os jantares e almoços recheados de assuntos para um futuro diferente —, foste capaz de virar costas, de ignorar o que vivemos e de continuar preso no teu mundo.

E a culpa não foi minha. Hoje, mas só hoje, tenho a certeza disso. Eu fiz tudo o que podia. E, inclusive, fiz mais do que devia.

Hoje, eu sei que não podemos fazer com que alguém nos ame. Apesar de tudo o que possamos fazer por outra pessoa, se essa pessoa não estiver disposta a dar-nos uma oportunidade, nada nunca vai mudar.

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NÁDIA BENTO, a menina de Cascais
Tem 24 anos e nasceu em Cascais. Lembra-se de começar a gostar de escrever depois de ler o primeiro livro do Harry Potter: no final da leitura, meteu as mãos à obra e escreveu um resumo da história do livro — e das outras seis dos restantes livros. Paixões: fotografia, viajar. Um dia, gostava de escrever um livro de literatura juvenil. «É o que mais gosto de ler», diz.