Porque um dia…

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Porque, um dia, me permitiste sonhar.
Porque, um dia, conseguiste mexer os meus lábios.
Porque, um dia, sorriste e nesse dia conseguiste.
Porque, um dia, despertaste em mim tudo «aquilo».
Porque, um dia, me fizeste suspirar.
Porque, um dia, coloriste a minha vida.
Porque, um dia, essas cores ficaram. E ainda por aqui andam.
Porque, um dia, a tua voz nunca mais me saiu da cabeça.
Porque ainda te ouço gemer no meu ouvido.
Porque a vida não é só preto e branco.
Porque as cores nos alimentam.

Porque.

Porque, um dia, não te vi.
Porque, um dia, já não havia cores.
Porque nesse dia a tua voz deixou de se ouvir.
Porque, um dia, disseste: «Não quero mais.»
Porque esse dia nunca mais terminou.
Porque nesse dia morri.
Porque nesse dia deixei de sorrir.
Porque nesse dia as lágrimas foram a minha voz.
Porque nesse dia deixei de sonhar.

Porque, hoje, ao me ter libertado de ti, foi o dia mais feliz da minha vida.

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.