A âncora da vida

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Sou um barco à deriva na imensidade, na vastidão, no mar da vida. Zarpo. Rumo ao incerto, ao desconhecido. Iço as minhas velas. E aí vou eu, ao sabor do vento. Inspiro. A liberdade. Permito-me ir, fluir. Navegar. Amar.

Mares tranquilos. Olho. Vejo. Contemplo. A infinitude. A multiplicidade de opções. A abundância de escolhas. Reflito. Que beleza esta! Inconstante e volátil. A vida! Tantos rumos. Tantas rotas. Por onde seguir? Quero o tanto! Quero o tudo! Quero-o todo, por inteiro. Quero o mundo!

Prossigo viagem. À bolina. Desafio e navego contra o vento. O vento da discórdia. Da injustiça. Do preconceito. Da inveja. Do egoísmo. Navego por mares turbulentos. Vagas gigantescas. Tempestades de inquietude. Turbilhão de emoções. Neblina que ofusca. Furacão de sensações.

Estou exausta. Mareada. Tenho de atracar. De me fundear.

A minha âncora… O quanto necessito dela!

A minha família… Os amigos que já são família… A âncora da minha vida. A que está sempre lá. Sempre cá. Sempre comigo. Incondicionalmente. Permanentemente. A que me devolve a calmaria. Que me permite saborear cada raio de sol. Cada raio de vida. A que me segura, me dá colo. A que me permite descansar e a coragem e sabedoria encontrar, para todos os mares navegar, e neles não naufragar.

Respiro-vos, abraço-vos e absorvo todo o vosso amor. Descanso em paz. Tranquila. Confiante. Demoro-me em vocês e vocês em mim. E, com o coração cheio, volto ao mar. A esse mar ora calmo, ora turbulento. À vida. Levo e guardo muito bem a minha âncora. Família de sangue e a de coração. A minha. Amiga. Prestável. Amada. Querida. A âncora que me prende à vida.

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SÍLVIA SANTOS, a menina-mulher
Diz, por brincadeira, que é a Sílvia e a Aivlis — o seu nome escrito de trás para a frente. Porquê? Porque é de opostos. Voa e rasteja. Ri e chora. Reflete e descontrai. Uma menina-mulher, das que não sabem que sabem e que pensam que não sabem, mas sabem. Forte, mas resistente. Insegura, mas persistente. Com sede de viver, de sentir, de experimentar coisas novas: tanto pratica artes marciais, como salta em queda livre no meio das palavras. O que a sufoca? A monotonia. Anda constantemente em busca de novos desafios — e foi assim que veio aqui parar.