Falta-me o teu amor

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Eu não sou tudo. Falta-me a outra metade de mim. Estou carente do amor que carregas em ti.

Quero que tenhas consciência de que preciso de ti. Que tenho sentimentos incompletos. Há uma parte de mim que ainda está contigo. Há partículas dos meus sonhos que continuam guardadas na bagagem com que viajas pela vida.

Quero que saibas que me sinto perdida. Que me falta um dos pontos cardeais da rosa dos ventos que orienta a minha vida. Quero que saibas que és a estrela do norte que me diz sempre qual o rumo que tenho que seguir.

Não. Não há exageros nas minhas palavras. Elas são o reflexo do amor que mora no meu coração. São o calor que procura pelo ar refrescante da tua paixão. São a sombra do desejo que grita por ti e que eu já não sei calar.

Preciso que entendas que eu estou incompleta. Preciso das tuas asas para voar, das tuas mãos para sonhar e do teu corpo para amar.

Sim, eu estou incompleta. Falta-me o teu amor. E amar também é isso. É procurar a pessoa certa para viajar connosco pela vida. A pessoa que faz parte dos nossos sonhos de criança. A pessoa que nos vai entender, quando envelhecermos.

E é contigo que eu quero criar rugas. Quero que saibas que as tenho guardadas para que as possa dividir só contigo. O amor é sempre uma divisão de sentimentos. A paixão completa-se com a multiplicação do amor pelo desejo. E, por fim, adicionamos-lhe a vida que vai passando e os anos que vamos acrescentando ao amor.

É por isso que tenho rugas guardadas só para ti. Para que as possas contar nas noites de insónias. Enquanto deslizas os teus dedos pelo meu rosto para me acordares. E eu sei que os teus beijos irão procurar, na minha pele, todos os sinais que os anos ali tatuaram. Serão esses beijos carinhosos que me apagarão da alma todas as memórias más, que o tempo ali quis escrever. Só tu saberás como secar as minhas lágrimas com o calor do teu amor.

Amar é isso mesmo. Ter a certeza de que tu és a pessoa certa para aturar as minhas crises de velhice. Que és tu quem vai tornar doce o final da minha vida. És tu que me afugentarás a amargura de ser velha.

Eu sei. Eu sei que és tu. Por isso é que me sinto incompleta. Vejo os anos a passarem por mim a um ritmo vertiginoso e ainda não te encontrei.

Diz-me onde ficaste perdido. Em que muralha te escondeste. É urgente encontrar-te. Antes que seja tarde e eu não tenha tempo para me sentir completa.

Diz-me onde estás. Diz-me onde fica o nosso paraíso. Prometo ir ter contigo, para que nos possamos completar.

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.