Não gosto quando dói

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Se eu deixasse apenas o título e o texto em branco, com certeza que iria ser fácil perceber o que vai dentro de mim.

Não gosto quando dói, e corrói cada pedaço meu.

Não gosto quando dói, e desfaz o pouco que ainda vive em mim.

Não gosto quando dói, e destrói cada peça do meu puzzle interior.

Não gosto quando dói, e me deixa angustiada, perdida, triste, chorona, sem vontade de ter vontade, preocupada, de coração nas mãos.

Não gosto quando dói a espera.

Não gosto quando dói. Já tinha dito?

E pensar que os “ses” destruíram a hipótese que, possivelmente, tivemos para tentar, arriscar, viver algo que nem nós próprios, muitas vezes, sabemos o que é e não conseguimos caracterizar.

As palavras não saem com a mesma fluidez que era suposto. Porque há um nó na garganta, no meu ser, que me impede, há muito, de dizer aquilo que sinto e que impede os outros de aproximar.

Não sei falar de amor. Sei apenas dizer que ele existe e que há amores tão bons de se viver, e outros que nos deixam desacreditados.

Hoje, eu vivo a mudança. A descoberta do ser “eu”, que há muito deixei escapar. Ainda assim, a minha essência está cá. O meu coração também e ele bate, tanto.

Estou como sou no Desafio-te e obrigada a cada um de vocês por me ver, cheia de defeitos, imperfeições, dúvidas, incertezas, como qualquer ser humano, mas ainda assim… Eu. Consigo saborear melhor cada dia graças também à vossa presença, às vossas palavras, ao vosso “eu”, que tanto admiro e me orgulho conhecer.

Odeio quando dói, e espero que cada vez doa menos.

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Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.