Vem, vem comigo

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Fotografia © FreeStocks.Org | Design © Laura Almedia Azevedo
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Vem, vem comigo. Diz-me que vai ficar tudo bem. Só por hoje. Só por agora. Mas vem!

Vem comigo neste barco de papelão.

Vem, vem comigo nesta noite de luar. Sê o reflexo da lua em mim, neste meu lago de emoção, neste meu corpo de desejo. Só tu eu e a imaginação.

Vem, vem comigo. Enche-me de beijos, de abraços de paixão. Que esperas para entrar em mim?

Tens a porta totalmente aberta. Não a vês?

Vem. Assim mesmo sem toalha, sem tralha nem bagagem. Vem assim mesmo. Nú. Nú de preconceitos, de sentimentos.

Vem com tesão e agarra-me pelo coração. Beija-me a alma. Toca-me com sofreguidão. Despe-me das minhas amarras, dos meus medos. Põe-me a descoberto.

Entra, mas entra todo assim de rompante e arrebata-me de uma ponta à outra. Conquista cada centímetro do meu corpo. Percorre cada poro da minha pele. Arrepia-me. Aquece-me. Enlouquece-me. Embriaga-me e liberta-me da lucidez. Navega comigo ao sabor ondulante destas ondas de amor, de amar, do mar.

Vem. Vem assim com tudo o que tens, com tudo o que podes dar. Entrega-te e leva-me junto. Afunda-te em mim, neste mar, neste amar.

Vem, vem comigo aqui e agora. O amanhã? O amanhã, amanhã será. Hoje, és só tu, eu e a imaginação.

Vem. Vem comigo. Sussurra-me ao ouvido «vai ficar tudo bem». Só por hoje. Só por agora. Mas vem!

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SÍLVIA SANTOS, a menina-mulher
Diz, por brincadeira, que é a Sílvia e a Aivlis — o seu nome escrito de trás para a frente. Porquê? Porque é de opostos. Voa e rasteja. Ri e chora. Reflete e descontrai. Uma menina-mulher, das que não sabem que sabem e que pensam que não sabem, mas sabem. Forte, mas resistente. Insegura, mas persistente. Com sede de viver, de sentir, de experimentar coisas novas: tanto pratica artes marciais, como salta em queda livre no meio das palavras. O que a sufoca? A monotonia. Anda constantemente em busca de novos desafios — e foi assim que veio aqui parar.