Sem ti

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Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje, estou assim, ao sabor de um leve suspiro que tomou conta da minha vida. Não sei para onde vou, nem tão pouco quanto tempo vou demorar a chegar. Talvez, um dia, me liberte destas amarras, que o meu coração criou ao teu, e consiga finalmente aprender a viver em paz sem estares ao meu lado.

O percurso é longo sem ti. O silêncio, que se instalou desde que partiste, dá-me conta do quanto me fazem falta as nossas gargalhadas e brincadeiras.

Esta casa, que foi em tempos a nossa casa, está agora tão vazia e despida, e não é de bens materiais. É, sim, do conforto dos teus abraços meigos e do calor do teu coração junto do meu, ambos a baterem em sintonia.

Sinto-te a falta em cada respirar. Por vezes, o ar parece não ser suficiente e sinto-me a sufocar. No meu refúgio dos sonhos, ainda te consigo sentir, ainda que impedida de te tocar. As lágrimas teimam em molhar-me o rosto, quando a tua imagem se me atravessa no pensamento.

Há tanta coisa, todos os dias, que queria partilhar contigo.

Prometemos que era para sempre e a vida sabotou a nossa promessa, desproveu-nos do chão que ambos pisávamos e, agora, sem ti, perdi o equilíbrio.

Precisava-te aqui e sei que nunca mais vais chegar.

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HELENA ISABEL, a misteriosa
Nasceu em dezembro de 1983. Diz-se uma «exploradora da vida». Gosta de ler, de escrever e de pintar. Não da pintura dos guaches e dos pincéis. Mas da pintura com as palavras. É apaixonada, irreverente e sensível a tudo o que a rodeia. Prefere um segundo de realismo a uma eternidade de sonhos.