Quando tudo está perdido

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

«Tudo está perdido…» Era esta a única frase que ecoava na minha mente.

Estávamos há mais de duas horas a tentar enfrentar uma enorme e horrenda tempestade. Todos os nossos esforços eram inúteis. «Tudo está perdido…» A vela estava rasgada, a água entrava com cada vez mais força dentro da embarcação, o leme estava partido e «tudo está perdido…» Apenas o mastro estava aparentemente intacto. Porém, todos sabíamos que apenas um suspiro era capaz de derrubar o imponente tronco.

Nada à minha volta fazia sentido. Nada parecia passar de uma alucinação. Não havia uma única imagem nítida ou um único som que parecesse minimamente percetível.

Todos tivemos reações diferentes. Enquanto que alguns dos meus companheiros já se encontravam inconscientes, outros pareciam estar apavorados, amedrontados ou até completamente em pânico.

Incrivelmente, ainda nenhum de nós tinha caído à água.

Eu, por outro lado, não conseguia sentir nada. Era tal a confusão, que a minha mente fora bloqueada. Parecia que a água do mar, ao embater em mim, levara tudo o que estava guardado na minha memória e todos os meus pensamentos, deixando apenas o seu sal e uma única frase a vaguear pela minha mente: «Tudo está perdido…»

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»