As saudades

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

E chega um dia em que percebes que estar perto é o que realmente importa; que as saudades que sentes, todos os dias, não são nada parecidas com as dos filmes: que se apaziguam com meia dúzia de abraços e de palavras bem desenhadas entre os lábios dos atores. Percebes sempre isso da pior maneira: quando estás sozinho e tudo do que precisas está demasiado longe de ti.

Chega um momento em que percebes que a tua vida acontece tantos dias sem ti, que talvez, em parte, já não te pertença. Sentes que, de cada vez que voltas, tens que correr uma maratona para acompanhar tudo o que aconteceu no entretanto da tua ausência. E é sempre assim: uma alegria enorme misturada com uma grande angústia de não saber muito bem a que lugar pertencemos agora. Ou talvez a angústia seja apenas por sabermos, exatamente, o lugar a que pertencemos; e por sabermos que esse lugar está – quase sempre – demasiado longe.

E, no meio disto tudo – que são apenas saudades –, percebes o mais importante: aconteça o que acontecer, no final, vais voltar. Mesmo que uma parte da tua vida tenha seguido sozinha, sem ti, tu vais voltar para o lugar a que pertences. E, mesmo que te pareça tarde de mais, lembra-te: estás sempre a tempo de voltar!

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CATARINA ANDRADE, a psicóloga a bordo
Tem 27 anos. É psicóloga de formação e assistente de bordo de profissão. Sempre gostou de escrever e, se lhe perguntarem, não se lembra de quando o começou a fazer. Como sempre foi muito crítica para consigo própria, deitava fora quase tudo o que escrevia. Agora, vai-se deixar disso. É este o desafio.