Não sou suficiente (e estou bem com isso)

Fotografia © Brooke Cagle | Design © Laura Almedia Azevedo
Fotografia © Brooke Cagle | Cartaz © Laura Almedia Azevedo

Um dia, decidi dizer-lhe que não conseguia. Que não conseguia chegar onde queria. Que não iria conseguir ultrapassar mais um percalço destes no meu caminho. Desabei. Disse-lhe que, mais uma vez, estava a provar ao mundo que não era capaz. Que não era suficiente. Que nunca era suficiente.

E é verdade — às vezes, não somos suficientes. Por mais que essa verdade doa. Mas não é isso que nos limita. Não podemos deixar que limite os nossos desejos ou o futuro: por vezes, não sermos suficientes dá-nos força para dizer «não» a algo que realmente não nos interessa. Para deixar de seguir uma ideia sem rumo.

A crua constatação de que nem sempre o somos levou-me também à descoberta de que as pessoas, que nos amam, não nos irão julgar se falharmos uma, duas, as vezes que forem. Porque, na verdade, sabem que ao falharmos aprendemos ou vivemos experiências que levaremos para a vida. Cometemos erros vitais, para que, no futuro, estejamos preparados para não os cometer de novo — ou para os cometer as vezes que forem precisas. Porque estas pessoas estarão ao nosso lado sempre que não formos suficientes — e sem nos cobrar por isso.

Na verdade, não importa se não formos sempre aquilo que esperam de nós. Se não cumprirmos aquilo que estava talhado no nosso destino — ou aquilo que o destino talha para nós. É mais importante sermos felizes. É mais importante tornar a vida mais leve. E respirar mais fundo por, nem que seja, uma vez. E mostrar ao mundo que nem sempre suportamos o rumo para que nos leva. Gritar-lhe que não somos suficientes, mas sermos suficientes para lidarmos com os seus julgamentos. E dizer-lhe que nos estamos a lixar para isso.

Comments

comments

PARTILHAR
Artigo anteriorA esperança não morreu
Próximo artigoAs saudades
BEATRIZ RODRIGUES DA BRANCA, a controversa
Tem 19 anos e o mundo é ainda tão grande. Aspirante a farmacêutica, «um dia, talvez seja escritora também», diz. Ama os livros, o café, as ciências e as letras. Acredita que podemos ser o que quisermos — e podemos. Está aqui porque aceitou este desafio: superar-se a si própria.