Sombras silenciosas

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Fotografia © Nuno Correia | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Nuno Correia | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Nada está errado comigo e é assim mesmo que é suposto eu ser. Numa terra de insatisfeitos e maldizentes que nunca acreditaram em mim. Tudo me leva para lugar nenhum, mas nunca é tarde, já que nunca ninguém se importou.

Cada vez me preocupo menos. Se não te importas, porque me importarei eu? Limito-me a deixar a onda passar. Todos cheios de histórias, sem nada para contar, nada de novo. Opto por deixar a janela aberta, pode ser que passe o Peter Pan e me leve para a terra do nunca.

Por entre um copo e outro, lembro-me de ti. Não de ti, mas sim de ti que me acompanhas… Sim, tu, que acreditaste num olhar triste, que trazia um sorriso escondido. E era o teu sorriso que agora me alegrava, que me faria arregaçar as mangas, que me faria regressar da terra do nunca. Com essa calma, essa sobriedade, essa segurança tão insegura, que acalma estas máquinas estridentes que trago dentro de mim.

Tu és a beleza no meu mundo. Sem ti, nada mais haverá para encontrar. Serei eu perfeito o suficiente? Um amante de excelência com uma arma na cabeça?

Os anos passam e queimam toda a minha inocência. Não posso continuar em negação. Não alimentarei essa amargura. E o que escolhi foi fazer-me ouvir e não fazer-me silenciar.

Percorri sozinho as ruas desertas à procura dos sonhos perdidos, das conquistas que ficaram por fazer. A minha sombra é, de facto, a única e a melhor companhia. Nunca me abandonou.

A linha que me separa da loucura está frágil, mas tu podes ajudar a tornar essa linha ainda forte. Até lá, vou percorrendo o caminho sem pressa.

Neste momento, apenas queria um beijo teu. São quatro da manhã e a campainha toca. São os teus lábios que eu vejo pelo óculo da porta…

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.