Até um dia!

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Fotografia © Jens Kreuter | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Jens Kreuter | Design © Laura Almeida Azevedo

Despedimo-nos: «Até um dia!»

Encostaste os teus lábios nos meus, seguraste o meu rosto com a tua mão e ficámos envolvidos num abraço doce.

Subi as escadas do prédio a correr e fiquei a ver-te partir da janela.

Deixei de te avistar. Senti um vazio de imediato. As palavras ficaram presas na minha boca. Queria pedir para voltares atrás. Deixa-me sentir de novo a felicidade extrema que vivi durante as poucas horas que foste meuRecuo. «Não podes. Não deves. Não permitas que a paixão te invada o coração de novo», digo-me.

Não consigo estar fechada. Visto o vestido mais leve e colorido que tenho na mala, apanho o cabelo e caminho em direção à beira-mar.

Sinto a areia quente nos pés e os salpicos da água fresca e salgada do mar no meu rosto. Sento-me e sou embalada pela brisa e pelo som das ondas. O tempo recua em frente aos meus olhos e traz de volta o melhor de nós.

Sinto as tuas mãos a percorrerem o meu corpo. Mostram desejo e ânsia. Fomos levados pela loucura, pelo desejo e pela entrega. Tenho ainda o teu cheiro em mim. Sinto o teu corpo quente a envolver o meu. Suspiro.

E, neste mesmo instante, a água fria do mar atravessa os meus dedos dos pés. Deixo de ser embalada. As ondas formam-se grandes, bruscas e vêm a uma velocidade enorme ao meu encontro.

Levanto-me e, diante delas, revejo o teu rosto a sorrir para mim e a dizer-me: «Também gosto muito de ti.»

Sorrio-te de volta e pronuncio em voz alta: «Fica aqui a nossa história. Neste areal e nesta imensidão do mar.»

Vou voltar! E, nesse dia, quando voltar, irei fechar os olhos e sentir-te de novo em mim.

Até um dia!

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MARGARIDA LIMÃO, a mulher-furacão
Ela raramente guarda algo por dizer, mas, quando guarda, guarda demasiado. Mas, se há um lugar onde todas as emoções devem ser partilhadas, esse lugar é este, aqui. Porque, aqui, ferve-lhe o coração. Aqui, transbordam-lhe as emoções. Aqui, não é só mãe, filha e mulher. Aqui, é paixão, urgência, recordação, dor e saudade. Aqui, ri, mas também chora. Aqui, o mundo pode ser tudo o que é, ao mesmo tempo: feliz, mas melancólico; forte, mas a precisar de um abraço; ácido, mas tão doce. É, por isso, uma verdadeira Margarida Limão. Sim, a nossa mulher-furacão.