A mão que dói

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Fotografia © Andreia de Castro | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Andreia de Castro | Design © Laura Almeida Azevedo

Não foi em vão que eles se conheceram. Não foi em vão que se amaram. Não foi em vão que descobriram a felicidade juntos. Naquele determinado espaço de tempo, naquele específico lugar, com aquela exata sensação de hoje e para sempre. Mas mal eles sabiam o que ainda estava por acontecer.

Ela não é perfeita, nunca foi, nem nunca será. No entanto, ao lado dele, ela tentou ser sempre alguém melhor. Por ele, para ele, pela relação que ambos queriam muito construir. Ele, um rapaz inseguro, bastante magoado, desconfiado, que precisava dela naquele momento, naquele lugar e sem meias palavras.

Deixaram-se seduzir. De um jeito fugaz, sentido e vivido de forma tão carnal inicialmente.

Por entre juras de amor, surge inesperadamente um «amo-te» com uma mão aberta; com o invadir de privacidade; com a desconfiança de uma sombra; com a incerteza do que era certo; com a insegurança do que era seguro; com um olhar de raiva, de ódio, de «se não és minha, não serás de mais ninguém».

Mas ela, em silêncio, sem raiva, nem mágoa, apenas lágrimas, tenta resolver tudo da melhor forma possível sem pensar nela. E apenas a pensar nele, porque, no fundo, ela acha que é a maior culpada do que se passou. E que ele, sim, precisa ser ajudado e desculpado. Ela só tem de lutar para ser alguém melhor (que já era).

Quem vê de fora opina, verbaliza, age (por vezes, intromete-se). Isto tudo mesmo sabendo, perfeitamente, que não é «a solução».

No entanto, ela continua firme até lhe faltar o chão; o amor próprio; o amor que, com tantos acontecimentos, se perdeu pelo caminho; o respeito por si. Ela não lhe deseja mal. Ela perdoa, porque sabe que a amargura dele advém de um passado que lhe foi igualmente injusto. Que não justifica as ações — ambos sabem que não —, mas ainda assim fica o que fica, foi o que foi, como foi. Melhor só em sonhos.

E ela, hoje, vive de sonhos tornados realidade. ♡

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.