Ser a tal…

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Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo

Por vezes, estar a alguns quilómetros de distância faz bem! Os sentimentos mais profundos ficam mais límpidos, mais transparentes. São certezas que afloram e decisões que se apresentam como o que de mais importante pode existir na nossa vida, o que é essencial a ser mantido, preservado e aumentado. Estar longe é estar mais perto, apenas fisicamente separado.

A vida só vale a pena, quando se sente aquele aperto dentro de nós, aquele nó na garganta e o frio no estômago. Quando se tem aquele receio, aquele medo do que possa ser ou do que possa não ser. Mas, ao mesmo tempo, no mesmo instante, temos a certeza do que é, do que pode ser. Esta incerteza é querer, a incerteza do que pode não ser, do não ter e, ao mesmo tempo, a certeza do que pode ser.

Espero ansiosamente pelo momento, pelo tempo em que, sem nos vermos, nos olhamos; sem nos cumprimentarmos, nos abraçamos e, sem nos conheceremos profundamente, nos reencontramos.

Amar não é esperar. Amar é ser!

Tenho o mundo à minha volta, o vento como companhia e o branco como almofada. Contudo, tudo isto parece vazio, sem. Só consigo ter a tua imagem, a tua suavidade presente, o teu doce, o teu “mau feitio”, o todo teu! Tenho-te no meu pensamento. No meu coração, as linhas do teu rosto, o desenho dos teus lábios, a volta do teu nariz, o calor do teu sorriso e a profundidade dos teus olhos. Só me falta o teu abraço, mas esse eu próprio o roubarei.

Sabemos que ela é a tal, quando todas as manhãs acordamos com o sorriso no rosto e sabemos qual a razão. Sabemos que ela é a tal, quando à noite vamos dormir e o último pensamento é sempre por e com ela. Sabemos que ela é a tal, quando, e sem motivo aparente, qualquer situação nos faz recordar o quanto ela faz falta na nossa vida. Sabemos que ela é a tal, quando, antes de pensarmos em nós, pensamos nela. Sabemos que ela é a tal, quando ela está triste e nós ficamos mais tristes ainda. Sabemos que ela é a tal, quando choramos por e com ela. Sabemos que ela é a tal, quando a sua felicidade nos invade e os seus raios queimam o nosso interior, colocando uma nova intensidade no nosso próprio brilho. Sabemos que ela é a tal, quando uma simples palavra proferida nos asfixia ou nos liberta.

Serás a tal, enquanto o desejares!

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CELESTINO MAGALHÃES, o racional
É licenciado em Engenharia Zootécnica, professor de Matemática e Ciências e formador em Tecnologias da Informação. Tem dois mestrados e está num programa de doutoramento em Tecnologia Educativa. Silencioso, independente e organizado, adora ter o controlo de todas as situações — quando é possível. É preocupado com a saúde, com a forma física e diz-se «prudente, meticuloso e racional». É um incorrigível perfecionista. No seu entender, «a busca pela felicidade pessoal pode ser entendida pelos outros como egoísmo». A sua máxima é: «Para ser realizável, basta sonhar!».