E se nos tivéssemos amado?

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Fotografia © Diana Rosa | Design © Laura Almeida Azevedo

Éramos jovens e, entre as aulas, os livros, as aventuras e os amigos surgiu o primeiro amor. Lembro-me de olhar para ti e pensar: que giro que és! E, naquele momento, algo se transformou, mudando tudo para sempre. E, todos os dias, foi crescendo aquele que seria o meu primeiro amor!

Aquele amor em que o apetite deixa de existir, adormeces e acordas a pensar na mesma pessoa, e em que basta um sorriso dele e o dia já valeu a pena. Aquele amor em que contas as horas, os minutos e os segundos para o voltar a ver, e, quando isso acontece, o coração bate tão depressa, que parece não caber dentro do teu peito. Aquele amor em que, quando ele passa por ti e te toca ao de leve, todo o teu corpo estremece e grita por mais. Aquele amor do qual ouvias falar, mas que até o teres conhecido não imaginavas o que era.

Todos os dias, esperava que me desses um sinal de que o que sentia era correspondido, que também sentias aquela paixão, que também amavas pela primeira vez. Os dias passavam, e, entre troca de olhares e sorrisos cúmplices, mas tímidos, nunca conseguimos dizer um ao outro aquilo que sentíamos. A vergonha e o medo de não sermos correspondidos foram sempre maiores do que a paixão e a química evidente!

E, hoje, ainda me pergunto:

— E se tivéssemos confessado o que sentíamos?

— E se tivéssemos dado aquele beijo?

— E se nos tivéssemos amado?

Hoje, seriamos as mesmas pessoas? Não creio! Até porque o amor transforma e faz revelar o que de melhor existe em nós. O amor existe para ser vivido, para ser sentido, para ser consumado. O amor é vida e a vida é amor.

As nossas peles nunca se tocaram. Os nosso lábios nunca se beijaram. Os nossos corpos nunca se fundiram num só. Nós nunca nos amámos. E nunca mais fomos os mesmos.

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DIANA ROSA, a viajante
Tem 34 anos. Trabalha na área financeira, mas não é isso que a move. A grande paixão — aquilo que a faz vibrar — são as viagens: pelo mundo e pela vida, descobrindo novos lugares, experiências e emoções. Gosta da natureza, de ler, de praticar yoga e de pessoas. Busca ser feliz e realizar sonhos. E este desafio é um passo, inesperado, dado nesse sentido.