Era uma vez…

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Fotografia © Andreia de Castro | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Andreia de Castro | Design © Laura Almeida Azevedo

Era uma vez, eu… Quer dizer, ela, a princesa que passava o dia na sua varanda com os cabelos soltos ao sabor do vento, a aguardar, um dia, poder encontrar um amor correspondido!

Podia começar assim a história, mas não seria tão real como verdadeiramente é.

Era uma vez… uma menina mulher que idealizava ser feliz, já que, no meio da sua história, tinha conseguido fazer tantas pessoas felizes. O que espera ela dele? Do tal por quem ela tanto anseia?

Espera que seja alguém com bom coração; divertido (cómico; por vezes, palhaço até); humilde; de olhar sincero e atrevido; se der, giro que se farta; moreno talvez (para não destoar do tom de pele dela); charmoso; quente (já que ela é uma friorenta); menino homem, sexy, meu (só meu, sem partilhas). Que seja alguém que tu aproves, que confie e que seja de confiança…

Que se chegue ao meu ouvido e diga: «Tenho todo o tempo do mundo para ti. Que queres fazer hoje?» «Gosto de ti, de verdade!» «Não queria estar noutro sítio neste momento, senão aqui, ao teu lado.» «Para sempre é muito tempo. Quero-te hoje bem mais do que ontem.» «Adoro a forma como os teus lábios me dizem que me querem beijar agora, e a forma como os teus olhos me mostram que me vão calar neste preciso momento!» Etc.

Esta menina mulher, por vezes, chora. Não porque idealiza o que não existe, mas porque já não acredita nem confia apenas no bater do coração de alguém que o diz ter, nem nas palavras que, tantas vezes, são em vão. Ela não mostra, mas sofre. Guarda muita dor e mágoa e, por isso, não deixa ninguém se aproximar tão facilmente.

Ela usa as palavras para exteriorizar aquilo que vivencia, aquilo que dói, aquilo que a assombra, e o coração para continuar a sentir e a esperar, sem medo.

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.