E se as tuas borboletas nunca morrerem no meu estômago?

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É como se, de repente, tudo parasse e eu só conseguisse pensar em ti. Acho que é nesse momento que sei que estás por perto. E, então, começo a ensaiar o meu melhor sorriso, a escolher as melhores palavras e a fingir que o facto de estares ali, tão perto, me é indiferente.

No meio disto tudo, passa-me pela cabeça que provavelmente estou a tremer e que, se tentar mexer, nem que seja um músculo, toda a gente vai perceber que a minha indiferença é uma mentira. Penso também que as borboletas, que tenho no estômago, batem as asas com tanta força, que é impossível que alguém ainda não saiba que eu estou completamente apaixonada por ti. Parece-me impossível disfarçar seja o que for, até porque, quando olhares para mim — o que acaba por acontecer mais cedo ou mais tarde —, vais saber a verdade, ou não me lesses tu por dentro como ninguém.

Então, quando finalmente tenho que olhar para ti, começo a tentar controlar todos os meus movimentos: o meu coração acelera e chega aos mil por hora. E, quando parece que vai explodir, olho para ti e sorrio o melhor que posso na esperança de estar ligeiramente invisível, para que os nossos olhos não se encontrem nem por um segundo. Caso contrário, nunca mais vou conseguir acabar com as borboletas.

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CATARINA ANDRADE, a psicóloga a bordo
Tem 27 anos. É psicóloga de formação e assistente de bordo de profissão. Sempre gostou de escrever e, se lhe perguntarem, não se lembra de quando o começou a fazer. Como sempre foi muito crítica para consigo própria, deitava fora quase tudo o que escrevia. Agora, vai-se deixar disso. É este o desafio.