Quando crescer, [não] quero ser como tu

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Fotografia © Maria Monteiro | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Maria Monteiro | Design © Laura Almeida Azevedo

«Quando eu crescer, não quero ser como tu…», dizia-me.

Nasci no mesmo dia e no mesmo mês do que tu, com a diferença de sessenta anos. Detestava-o, porque eu não queria ser como tu!

Lembro-me de quando falavas e nos contavas que perdeste tudo, mas não cruzaste os braços. Mesmo assim, eu não queria ser como tu!

Lembro-me de quando nos contaste que, mesmo com a morte visitando-te por duas vezes, mesmo assim, não desististe. E, mesmo assim, eu não queria ser como tu!

Saíste da tua terra natal para o desconhecido. E foste para o outro lado do mundo para começar tudo do zero, levando no coração o amor de quatro filhos e a tua repentina viuvez. Perguntava-te se não sentias medo e respondias-me, sem meias palavras: «Sim sentia, mas não tinha espaço nem tempo para grandes medos.» E eu? Eu continuava a não querer ser como tu!

Apesar dos percalços da vida, conseguiste ser feliz, transmitindo-nos sempre a força e a resistência que a vida tanto pede de nós! Exigindo, sim, da vida a tua felicidade!

E sabes o que te digo, hoje? Meu Deus… Afinal, quando eu crescer, quero ser como tu, avó Abigail!

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MARIA MONTEIRO, a simpática
Ela é comunicativa, simples, atenciosa e efusiva. Gesticula muito, quando empolgada. Ri alto, quando feliz. Onde quer que vá, brilha pela simpatia. Mas também gosta de ficar no seu canto e de assimilar as emoções com calma. Porque, além de tudo, é também ponderada e cautelosa. Mãe de uma menina, é também filha e, sobretudo, mulher. Mulher de coração grande e amiga dos seus amigos. Acredita nas pessoas e procura ver nelas o seu lado bom. Até ao último segundo. Porque a vida é demasiado preciosa para que nos foquemos nos detalhes menos bons.