Quando o amor nos abandona

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Fotografia © Joshua Earle | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Joshua Earle | Design © Laura Almeida Azevedo

Demorei muito, muito tempo até perceber que tenho sido um idiota. Uma besta mesmo. Quando as coisas começaram a acontecer para ti, devia ter dado mais apoio. Devia ter estado ao teu lado. Isto era o que eu pensava. Só que eu estive sempre lá.

Tu nem mereces sequer que a vida corra bem. Não aceito como me dececionaste e

Dizer-te o quê, agora? Que foste a melhor coisa que me podia ter acontecido? Nem quero saber. Foste, de facto. És ainda. Ouviste, vezes sem conta, dizer que te amo. Mas nunca me vais ouvir a pedir desculpa. Porque não o mereces. Não me regozijo com isso. Não me alimenta. Mas odiar o que outrora amei sabe-me mal.

As lágrimas correram durante dias e dias. As lembranças foram-se. E eu fiquei no mesmo lugar. Como um estranho, uma sombra morta, sem corpo onde se alimentar.

Acabo por perceber como sou tão simples, simples de gostar, simples de ver. É tão fácil ler uma pessoa, ler-me então. Tentaste abrir a «minha» porta, com uma chave, ao empurrão, à bruta e surpreende-me que não tenhas percebido que bastava empurrar um bocado, assim com um dedo. Disfarcei, vezes sem conta. Aliás, é o melhor que faço.

Disfarço a dor. As mãos vão escondendo o que tanto quero mostrar. E deixo-me, por aí, a falar sozinho, porque eu sou assim. Só e em silêncio me entendo

A solidão dá força. Ou abandona-nos no buraco mais fundo em que alguma vez me encontrei. Porque o meu coração ficou numa escuridão demasiado tempo. Mesmo assim procuro sair, e dar luz a este buraco.

Quando o amor nos abandona, percebes que sem amor não conseguirás certamente amar… e eis quando as lágrimas começam a secar.

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.