A natureza cheia de dúvidas

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Fotografia © Carina Maurício | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Carina Maurício | Design © Laura Almeida Azevedo

A estrela disse ao sábio:

— Sinto-me pequena e insignificante. Não sirvo para nada.

O sábio respondeu:

— Tens razão, mas juntamente com as outras estrelas fazes um lindo céu estrelado. Como seria possível iluminar o caminho de noite sem a luz de cada uma de vós?

A gota vira-se e diz:

— Eu também me sinto pequena e insignificante. Também não sirvo para nada.

O sábio respondeu:

— Tens razão! Mas como poderíamos apreciar a beleza de um oceano, se não fosse cada uma das gotas que lhe pertencem? Como poderíamos beneficiar da chuva, se não fosse cada uma de vós?

— E eu, sábio? — perguntou a flor. — Eu também sou pequena e insignificante.

O sábio respondeu:

— Querida flor, como poderíamos apreciar um campo florido de primavera, admirar a vossa beleza e sentir o vosso perfume, se não existisse cada uma de vós?

A pedra, escutando a conversa, acrescentou:

— Eu, sim, sou pequena e insignificante. Eu realmente não sirvo para nada. As pessoas até tropeçam em mim…

O sábio respondeu:

— Tens razão… Mas como poderíamos, por exemplo, ter a proteção de um castelo, se não fossem as milhares de pedras que o constroem?

O sábio apercebendo-se da tristeza da árvore, que partilhava do mesmo sentimento, disse-lhe:

— Como existiriam florestas, como poderíamos ter o oxigénio que nos faz viver, se não fosse cada uma de vós?

Depois, observando toda a natureza, acrescentou:

— Cada uma de vós, por mais pequena e insignificante que se possa sentir: por favor, saibam que fazem a diferença! Sozinhas podem não ser nada, mas em união fazem o mundo!

O trevo de quatro folhas intercetou-o e disse:

— Eu sinto-me pequeno e insignificante. Não sirvo nada. Além disso, sou raro!

O sábio concluiu:

— Tu representas o potencial de cada pessoa. Cada uma de nós tem potencial para ser a quarta pétala de um trevo de quatro folhas. Mas as pessoas não o veem, não acreditam em si! Poucas o encontram, mas aquelas que o encontram têm a maior sorte do mundo!

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.