Amor de mar

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Fotografia © Anabela Mata | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Anabela Mata | Design © Laura Almeida Azevedo

— Vais ao mar?

— Vou. É a segunda maneira de poder estar contigo…

Sabes, a surfar, durante todos estes anos, nunca me ocorreu nada. Esvaziava a mente, em cada onda que apanhava. Segundos de vazio, total vazio em que aprecias o som, o perigo e tudo o que uma onda te dá.

— Imagino que sim. Consigo sentir esse vazio, esse silêncio de que falas, só de me sentar lá, em frente ao mar. É assim, sempre, desde que fugia para lá em criança.

— Pois, mas agora não. Agora tu estás lá e é lá que quero estar ainda mais. Está lá o cheiro do teu cabelo, em cada onda que apanho. Agora, surfar é como fazer amor contigo, é como se estivesses lá, se te sentisse lá… mas acabas por nunca aparecer!

— Um dia, Vida, um dia voltamos a estar juntos lá, no nosso mar.

— Um dia, meu anjo… vou esperar por esse dia. Sentes-me? Ainda me sentes?

— Agora mesmo, neste arrepio! Eras tu? És sempre tu… Será possível?

— É possível. Connosco é. Meu anjo? Amo-te. Sabes disso, não sabes? Vou amar-te sempre!

— Sim, Vida, sei… Sinto. Porque somos, lembras-te? Somos um amor que não se diz, que não se conta, que é só nosso, sempre e para sempre…

Até já.

E era lá, a olhar para o mar que ela o via, que ela lhe sentia o toque, de olhos fechados. E era lá, em cada onda que surfava, que ele voltava a fazer amor com ela, a sentir o cheiro dos seus cabelos… Eram do Mar, como seriam para sempre um do outro!

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ANABELA MATA, a bella
Ela é uma mulher ativa, vegetariana e adepta da vida saudável. Por isso, adora cozinhar, dançar, viajar e, sim, escrever — para ginasticar as emoções. Escreve com o coração: esse, que sente, ama, sofre, é feliz. Adora sorrir. Quase se poderia dizer que ela é a Bella porque é assim que vê a vida.