Uma família

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Fotografia © Inês Diniz | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Inês Diniz | Design © Laura Almeida Azevedo

Ter (e ser) uma família é uma aventura (das grandes). Mas, na maioria das vezes, das (muito) boas. Porque tudo começa antes, com um exemplo: a nossa própria família, os nossos pais, irmãos, avós. E primos, tios e sobrinhos. Mas também o nosso querer. E, acima de tudo, o nosso crer.

Um dia, surge um olhar, o dar a mão. Muitos frios na barriga e um beijo depois, um namoro.

Começa a jornada.

Antes de mais, constrói-se a dois. Começa a partilha, o afeto, o respeito, a amizade.

Claro, nem tudo são rosas: surgem a desavença, a desilusão. Por vezes, a zanga. Aprende-se a respeitar e a ser respeitado, nasce uma nova união. Constrói-se um lar, novas responsabilidades. Enfim, pela primeira vez, uma nova família. Acolhem-se também os amigos, afinal, eles também são parte da família, alargada é certo. Mas cúmplice.

E, algum tempo depois, muito ou pouco, a notícia: a família vai aumentar! Novos sentimentos: surpresa, felicidade. E dúvida! Muita. E medo: correrá tudo bem? Será saudável? Então, o nascimento! O núcleo alarga-se. Eis que temos uma nova vida e uma grande responsabilidade em mãos. Surge a pergunta, enquanto se segura no colo uma nova vida e uma pequena mão nos envolve um dedo:

— Que faço contigo? Trazes manual de instruções?

E partimos à descoberta.

Começam as noites em branco, os choros, as cólicas, as dores. É um desafio tremendo para o casal. Há que partilhar, entre ambos, todas as responsabilidades. Afinal, um novo membro da família não se faz de um só.

Muitas vezes, instala-se o cansaço. Em muitos casos, surgem divisões, depressões até. Mas os primeiros sorrisos ajudam a superá-las.

Ouvem-se as primeiras palavras. As birras e as doenças. O gatinhar e os primeiros passos. O primeiro Natal, reunindo-se a família alargada, avós e tios. A alegria dos primeiros brinquedos, trazendo brincadeiras e jogos em família. A cumplicidade, que cresce. São tão importantes os avós, e a falta que fazem, com os seus mimos e sabedoria infindáveis. Vem o primeiro dia de escola. Com ela vêm a expetativa e a exigência. Os primeiros amigos. E as festas de aniversário.

A criança cresce. Talvez tenha irmãos. E como é bom ter irmãos. Um dia, talvez existam desavenças. A família afasta-se, mas não se separa. Será nostalgia e saudade. Mas também será reencontro.

Ser uma família é ser um mar de sentimentos: amizade, carinho, choro, zanga, desespero por vezes. São dúvidas. É medo de perder e insegurança. É transmissão de regras e valores. É riso e alegria. É cumplicidade, partilha, afeto. É amar. É felicidade. E é vida!

Uma família é uma aprendizagem e um desafio constante, um dar e receber permanente.

É, e deverá ser sempre, o sítio onde somos nós próprios e damos o melhor de nós.

E seremos sempre uma família, perto ou longe, onde quer que estejamos.

No fim, uma família é o nosso núcleo, o nosso porto de abrigo.

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CARLOS DINIZ, o idealista
É informático, mas as letras também o assistem. Adora ler. Lá porque esta é a sua primeira experiência na escrita, não se deixa intimidar. Os desafios são para isso mesmo. Amante do que é natural, aprecia as coisas boas da vida. Acredita que «os sonhos comandam a vida» — e, aqui entre nós, comandam mesmo.