O amor não existe sozinho

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Fotografia © Ryan McGuire | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Ryan McGuire | Design © Laura Almeida Azevedo

O amor não existe se chegar sozinho.

Nada nele fará sentido, se não trouxer com ele vontade de sonhar, que chegue e sobre para dois. Sem sonhos de futuro ele acabará esquecido. Ficará perdido nas páginas em branco da vida. As folhas que voam, sem autorização, pelas ruas escuras onde se esconde a solidão.

Ninguém pode amar no singular!

O verbo amar sempre se conjugará no plural. Dizemos nós amamos, nós sonhamos. Juntos seremos felizes. Unidos teremos todo o tempo do mundo para viver o nosso amor. Só assim o amor fará sentido na vida. Uma história vivida em plenitude por dois seres apaixonados. Dois amantes que dividem sonhos e constroem esperanças de futuro.

Por isso, eu sonho que me conquistes com o brilho do teu olhar. Para que eu te possa seduzir com a pureza do meu sorriso. Sentirei as tuas duas mãos a deslizarem sobre mim, provocando uma multidão de arrepios de frio, que os nossos corpos saberão transformar em calor com a força do seu amor.

Tudo no amor é plural. São sorrisos coloridos que dividimos e abraços perfumados que desenhados nos sonhos que convertemos em realidades.

O amor só assim faz sentido repartido por dois, que a determinado momento se julgam apenas um, tamanha é a dimensão do amor que sentem.

Nada que chegue sozinho traz felicidade!

Um coração solitário não saberá interpretar o batimento de uma paixão. Um corpo abandonado pelo amor só saberá chorar lágrimas de desgosto. Um sorriso que nunca foi beijado por alguém, que lhe saiba escrever sentimentos na alma, nunca carregará em si sonhos coloridos.

Julgará que a vida é uma cena a preto e branco. Uma história sem sentido, que não tem principio nem fim.

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.