A dor da ingratidão

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Fotografia © Sofia Almeida | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Sofia Almeida | Design © Laura Almeida Azevedo

Ingratidão, segundo o dicionário:

n.f.
1. Característica ou atributo de ingrato; ausência ou inexistência de gratidão ou reconhecimento;
2. Índole ou essência do ingrato;
3. Acto  ou comportamento ingrato ou desagradável; ação hostil direcionada a quem se deve gratidão.
(Etm. do latim: ingratitudĭne)

Quem nunca sentiu ingratidão? Quem nunca sentiu aquela pressão no peito dolorosa, um desânimo que fere a alma? Quem nunca se questionou: Que fiz eu para merecer tamanha ingratidão?

Em alguns momentos da nossa vida, deparamo-nos com pessoas que outrora foram próximos de nós, que fizeram parte da nossa vida, mas que agora estão distantes, frias, até desconhecidas. Pessoas por quem tínhamos tamanha consideração, mas que infelizmente se esqueceram dos momentos partilhados, das gargalhadas, dos sonhos, das conversas, dos desafios, das dificuldades e dos momentos superados, juntos.

Não há respostas que justifiquem a falta de indiferença e a falta de agradecimento. Não seria um acto, e uma consequência, agradecer? Não, não basta um obrigado. É mais do que isso. Envolve amor, educação, respeito.

Quando fazemos algo por alguém, esperamos algo em troca?! Não. Obviamente que não se trata de uma troca de benefícios. Os afectos não se vendem. Não se cobram. «Não fiz mais porque não podia e nem reconhece o que fiz» não é esperar algo em troca. É ficar magoado com a falta de reconhecimento e é neste momento que as portas se abrem e que surge a dor da ingratidão.

Podemos nós ficar magoados? Sim. Podemos ficar magoados. É legítimo.

Mas como curar a dor da ingratidão? Como não ficar com rancor, com mágoa? Aplicando o amor incondicional, que é tão bonito de se falar, mas tão difícil de se por em prática.

Creio que a cura será pensar: Sim, fiz, ajudei, dei o meu melhor, mas a pessoa, infelizmente, não soube receber com amor, com honra, com reconhecimento, com valor. Portanto, o problema nunca será meu, mas sim da pessoa que não reconheceu e que foi ingrata.

«Que mal fiz eu para merecer esta ingratidão?» Nada! Absolutamente nada. A pessoa não esteve à altura do amor, afecto, que lhe proporcionaste. Lembra-te de que a vida se encarrega de mostrar quem sim e quem nunca.

Por isso, a importância de sermos gratos. Gratos à pessoa que nos deixa a porta aberta para entrar. Gratos à pessoa que esteve sempre disposto a ouvir-te. Gratos ao amor incondicional dos nossos animais. Gratos ao sol por nascer. Gratos aos nossos pais que nos deram o seu melhor. Gratos aos amigos que nos chateiam para um lanche. Gratos àquele que te telefona a perguntar: «Chegaste bem a casa?» Gratos aos pequenos gestos, aos grandes, aos detalhes, às lições.

Escreve na palma da tua mão: «Nunca te esqueças de quem te deu a mão, fosse em que circunstância fosse.» Nunca. Assim, jamais serás ingrato.

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É feita de sonhos, de saudades, de amor. É feita de coragem, de abraços, de risos e de gargalhadas. É feita de bom humor e de algum mimo também. É feita de uns dias melhores e outros assim assim. É um pouco do que lê, do que vê, do que ama, do que guarda. É também um pouco daqueles que ama, daqueles que ouve, daqueles que estão aqui, bem dentro, no seu coração. É feita de algumas fraquezas, algumas conquistas, alguns desafios. É feita de um amanhã, de um hoje e de um ontem, que já passou, mas que faz ainda parte de si. É a Sofia.