Vou contar-te um segredo

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Fotografia © Dora Nunes | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Dora Nunes | Design © Laura Almeida Azevedo

Sempre que penso em ti, sonho acordada. Desta vez, dormi. E dormi…

Sonhei contigo, mas, antes de adormecer, levei a minha cadeira até à sétima onda do mar e pedi à lua que me abraçasse. Precisava de um abraço forte e que me desse algum conforto, algum alento. Tinha sido um dia longo. Só uma boa noite de sono me faria descansar e sonhar. Teria de ser contigo. Só assim vale a pena. E, por ti, vale sempre a pena. Por nós? Já não sei… Posso contar-te?

A noite era fria. A brisa do mar soltou-me o cabelo, preso por um elástico mágico. O elástico caiu no chão e tu apareceste para prender, de novo, o meu cabelo completamente molhado por aquela água gelada. As tuas mãos eram a espuma do mar, tão branca que se confundia com as penas das gaivotas espalhadas pela areia fina e fria. Aquele cenário era mágico e de uma misticidade peculiar. Um misticismo que tão bem te caracteriza. Sabes quando te pedi que me abraçasses e tu sorriste e foste embora? O teu rosto, envolvido no nevoeiro daquela manhã de inverno, deixou-me ainda com mais vontade de te envolver com um laço de fita vermelha e de te levar para casa. Eras misterioso.

Hoje, sentada na minha cadeira, aqui perdida neste mar, na sétima onda, que já contei umas cinco vezes na esperança de que voltes e ates o meu cabelo com as tuas mão de verão, olho a lua que me sorri e penso em ti.

É bom sonhar contigo, mas, sabes, eu não sonhei. Afinal, estás mesmo aqui. Olho para ti e estás numa cadeira a meu lado. Estás feliz. Sorris para mim e sabes o que tens na mão? O meu elástico do cabelo. Pedes que me sente ao teu colo. Agora não estamos em cadeiras separadas. Estamos numa só e somos um só!

E tu? Sonhaste comigo ou também estavas acordado?

E agora? Acordei!

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DORA NUNES, a Cinderella
Tem 37 anos e vive em Ponte do Sor — uma «cidade alentejana», diz, «de gente de alma gigante». Trabalha como administrativa num lar de idosos e canta numa banda. Duas terapias que a fazem sentir-se feliz. A escrita surgiu na adolescência. Era uma miúda tímida, com os medos e os anseios tão típicos da «idade do armário». Na escrita, libertava-os, soltava-se. Um desejo? Que cada palavra sua toque o mundo de quem a lê. Sente que a sua missão é ajudar os outros e acredita no lado bom de todos nós. Quem é ela? É a nossa Cinderella!