Serei sempre tua

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Fotografia © Nathan Walker | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Nathan Walker | Design © Laura Almeida Azevedo

É assim que me despeço de ti: deixando a minha mão passar para o papel toda a angústia, dor e sofrimento. É mais fácil assim. Não te olho nos olhos. Não sinto o teu cheiro. A minha voz não treme, nem me fogem as palavras.

Não penses que vou ser meiga e escrever-te uma carta romântica, como fazem as pessoas que estão apaixonadas… E também não quero que guardes este pedaço de papel, depois de o leres. Apaga tudo o que te faça lembrar de mim.

Foste e és a loucura da minha vida.

Fui feliz contigo. Senti-me viva, desejada e amada na minha inocência.

Hmm, lembro-me, agora, dos nossos encontros proibidos… O mundo parava. Fazia-nos esquecer que não estávamos livres, que existiam duas pessoas que não mereciam tal traição. Mas o corpo pedia. O teu e o meu. E, naqueles momentos, a única coisa que desejávamos era estar juntos, sentir os nossos corpos nus, as mãos ansiosas e os beijos sôfregos de tanto desejo.

Ai, João! Quero-te tanto.

Mas esgotei as forças para lutar por ti. Tu não mudas. Não te decides. E preferes ficar nessa tua vida de mentira.

Sabes que mais? Quero mesmo é que sejas infeliz. Sim, leste bem: infeliz! Quero que sintas na pele o meu sofrimento. Não quero mais nada teu. Nem mesmo as lembranças onde fomos felizes.

Sofre muito. Chora muito. Arrepende-te.

Sê infeliz nessa vidinha que escolheste.

Adeus!

P.S. Serei sempre tua.

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Ela raramente guarda algo por dizer, mas, quando guarda, guarda demasiado. Mas, se há um lugar onde todas as emoções devem ser partilhadas, esse lugar é este, aqui. Porque, aqui, ferve-lhe o coração. Aqui, transbordam-lhe as emoções. Aqui, não é só mãe, filha e mulher. Aqui, é paixão, urgência, recordação, dor e saudade. Aqui, ri, mas também chora. Aqui, o mundo pode ser tudo o que é, ao mesmo tempo: feliz, mas melancólico; forte, mas a precisar de um abraço; ácido, mas tão doce. É, por isso, uma verdadeira Margarida Limão. Sim, a nossa mulher-furacão.