
É assim que me despeço de ti: deixando a minha mão passar para o papel toda a angústia, dor e sofrimento. É mais fácil assim. Não te olho nos olhos. Não sinto o teu cheiro. A minha voz não treme, nem me fogem as palavras.
Não penses que vou ser meiga e escrever-te uma carta romântica, como fazem as pessoas que estão apaixonadas… E também não quero que guardes este pedaço de papel, depois de o leres. Apaga tudo o que te faça lembrar de mim.
Foste e és a loucura da minha vida.
Fui feliz contigo. Senti-me viva, desejada e amada na minha inocência.
Hmm, lembro-me, agora, dos nossos encontros proibidos… O mundo parava. Fazia-nos esquecer que não estávamos livres, que existiam duas pessoas que não mereciam tal traição. Mas o corpo pedia. O teu e o meu. E, naqueles momentos, a única coisa que desejávamos era estar juntos, sentir os nossos corpos nus, as mãos ansiosas e os beijos sôfregos de tanto desejo.
Ai, João! Quero-te tanto.
Mas esgotei as forças para lutar por ti. Tu não mudas. Não te decides. E preferes ficar nessa tua vida de mentira.
Sabes que mais? Quero mesmo é que sejas infeliz. Sim, leste bem: infeliz! Quero que sintas na pele o meu sofrimento. Não quero mais nada teu. Nem mesmo as lembranças onde fomos felizes.
Sofre muito. Chora muito. Arrepende-te.
Sê infeliz nessa vidinha que escolheste.
Adeus!
P.S. Serei sempre tua.




