Quero-te tanto, tanto bem!

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Fotografia © Sílvia Santos | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Sílvia Santos | Design © Laura Almeida Azevedo

Noite cerrada e eu aqui, acordada.

Um sussurro impercetível e uma respiração mais profunda interrompem o silêncio da noite e o turbilhão dos meus pensamentos. Despertas-me! Acordas-me para a vida. Eu que já estava em Marte, embrenhada nos meus devaneios.

Olho para ti. Contemplo o teu rosto. A dormir. Quanta serenidade. Quanta tranquilidade. Tão feliz! Cada traço tão perfeito. Delicado. Tão doce! Olhar para ti, assim, transmite-me uma imensa paz! Essa paz que, por vezes, tanta falta me faz!

Sinto a tua mão a pousar gentilmente no meu peito, bem junto ao meu coração. Quero-te tanto, tanto bem!

Dou-te um beijo na face. Um daqueles que já tantas vezes te dei. Que te dou. E tantas mais te darei. Demorado e a transbordar de amor. Deste meu amor por ti, incondicional. Puro. Eterno.

Inspiro esse teu cheirinho.

Cada poro da minha pele se arrepia. E o coração… ai, este meu coração! Rejubila de emoção e de alegria. Respiro esta energia… Quero absorvê-la! Quero guardá-la! Quero parar no tempo! Quero recordar estes momentos. Sempre!

Quero dar-te o mundo. Sorrir contigo. Alegrar-me com os teus sucessos. Com as tuas alegrias. Gargalhar com as tuas histórias de criança. E rever-me nelas. Soltar a criança que também existe em mim. E preservá-las. A tua e a minha.

Quero chorar contigo e estar presente nos momentos menos felizes. Amparar-te as quedas. Ajudar-te a erguer. Ajudar-te a crescer. Aprender. Aprender contigo. Sobre ti, sobre mim, sobre o mundo.

Quero que a vida te sorria e nunca te retire esse teu sorriso maroto, doce e irrequieto do rosto, da alma. Que a tua vivacidade permaneça.

Estarei sempre aqui, assim a vida me permita e a saúde não me falte. E quando faltar, estarei sempre em ti. No teu coração, nas tuas memórias, num gesto, num sorriso teu. Independentemente de tudo. Incondicionalmente.

Quero-te tanto, tanto bem!

Lês-me a mente.

Puxas-me para ti e abraças-me, com esse teu jeito de quem dorme, mas parece acordado.

Digo-te ao ouvido: Gosto tanto de ti!

Tu sorris.

E num sussurro, desta vez percetível, dizes:

— Mamã, também gosto muito de ti!

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SÍLVIA SANTOS, a menina-mulher
Diz, por brincadeira, que é a Sílvia e a Aivlis — o seu nome escrito de trás para a frente. Porquê? Porque é de opostos. Voa e rasteja. Ri e chora. Reflete e descontrai. Uma menina-mulher, das que não sabem que sabem e que pensam que não sabem, mas sabem. Forte, mas resistente. Insegura, mas persistente. Com sede de viver, de sentir, de experimentar coisas novas: tanto pratica artes marciais, como salta em queda livre no meio das palavras. O que a sufoca? A monotonia. Anda constantemente em busca de novos desafios — e foi assim que veio aqui parar.