Afinal, os homens também têm medo

Fotografia © Ryan McGuire | Design © Laura Almeida Azevedo
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Os homens também têm medo. Assumo o risco de o dizer. Têm por hábito fazer-se de fortes, para conseguirem omitir o que também a eles lhes corrói a alma. Sim, é verdade — os homens também têm medo de sofrer. E um homem conseguir admitir isso perante uma mulher, bem, isso, sim, é algo de valor.

Eles escondem — ou fazem por esconder. Mas a crua e, para eles, talvez dura realidade é que também eles têm medo de sofrer. E de se apaixonar. Especialmente quando encontram uma mulher independente e segura de si, a quem a vida já ensinou o que fazer. Sim, os homens também sofrem do síndrome do coração partido, mesmo que tentem reconstruí-lo com casos de uma noite — ou de várias. Sabem lá eles que isso, só por si, não os leva a lado nenhum, quando, na tentativa desenfreada de alcançarem a reconstrução do corpo, se esquecem da reconstrução da sua própria alma. Não os critico: acho que se encontram no seu devido direito — mas no final da noite, à falta do aconchego e da conchinha, que emoção preencheram eles?

Os homens — espécie estranha e inóspita —, também têm medo de amar. Por deceções passadas. Por deceções futuras. Também eles têm mecanismos de segurança e autodefesa e uma capa protetora de super-heróis. Também eles se retraem quando alguém se aproxima das suas vulnerabilidades, com medo que lhes tirem o chão.

Os homens também têm medo do futuro. É por isso que dizem preferir viver no presente. No literal sentido do Carpe Diem. Dizem não pensar no amanhã. Dizem não fazer planos. Medo do futuro? Afinal, todos temos.

Os homens também são como nós, mulheres. Um pouco menos expressivos. Um pouco mais comedidos nas suas emoções. Um bom bocado como nós: com medos, mas com vontade de os ultrapassar — têm apenas mais dificuldade em demonstrá-lo.

É este o salto que faz uma mulher ser dona do seu nariz. Li, no outro dia, que: «As mulheres donas de si a uns dão medos, a outros vontades». Mas não poderá uma dessas mulheres despertar, no mesmo homem, medos e vontades? Eis a questão.

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BEATRIZ RODRIGUES DA BRANCA, a controversa
Tem 19 anos e o mundo é ainda tão grande. Aspirante a farmacêutica, «um dia, talvez seja escritora também», diz. Ama os livros, o café, as ciências e as letras. Acredita que podemos ser o que quisermos — e podemos. Está aqui porque aceitou este desafio: superar-se a si própria.