Amor à distância

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Fotografia © Sofia Almeida | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Sofia Almeida | Design © Laura Almeida Azevedo

É difícil estar longe da pessoa que amamos. Cada dia é uma luta. Cada dia é uma saudade. Cada dia é uma espera. Mas nada é impossível. Afinal, dizem que o impossível é quase sempre o que nunca se tentou. E nós tentamos todos os dias. Estar juntos, mas separados apenas fisicamente. Estar, e sermos um só à distância. Cada vez que entro no avião, sinto um frio na barriga, uma ansiedade. Antes, contam-se os dias todos. Faltam 40 dias. Faltam 20 dias. Faltam 5 dias. É hoje! As malas estão feitas. O destino é regressar.

Cada encontro é um primeiro encontro. Aquele coração a bater. Aquela ansiedade do reencontro. Do abraço. Do beijo. Do calor. Quando estou a aterrar no aeroporto, as lágrimas caem dos olhos. É uma alegria tão imensa, tão intensa. Chorar de alegria é uma das melhores sensações, não acham? É essa que sinto. Por estar perto do que quero. Por me sentir em casa. Depois da azáfama de ir buscar a mala, etc., chega o momento do reencontro. Lá está ele à minha espera. Com um sorriso. E eu também. Mal o consigo encarar olhos nos olhos, porque as lágrimas enchem-nos. Abraço, um abraço que me faz querer morar lá dentro. Um abraço como se fosse o primeiro abraço de sempre. Olhos nos olhos, uma alegria imensa. Finalmente juntos.

Ele olha para mim e diz: «Beija-me em condições». E começamos os dois a rir. É tão compensadora esta espera. O namoro à distância resulta na espera, na entrega total, no amor sem cobranças, na confiança, na paciência. Cada dia é uma aprendizagem. Estarmos gratos e confiantes na escolha que fizemos. Os momentos juntos são mais intensos, mais coloridos, mais sentidos, mais valorizados. Ficam armazenados nas gavetas da memória. Aquelas que abrimos quando temos saudades. Ficam na nossa história. Enchem o coração. É um ganhar forças para amenizar a saudade que virá.

Depois vem a despedida. A dor. O até já. «Vá, não custa nada», «Passa rápido, vais ver», diz ele, comigo desfeita em lágrimas. Ele é mais forte. Faz com que as coisas não pareçam difíceis. Diz piadas para me rir. Então, entre as lágrimas, lá se solta uma gargalhada, um abraço e um «eu não quero ir». Ele abraça-me, aquele abraço que me faz querer morar lá dentro. Leva-me à porta de embarque. Dá-me os últimos beijos, abraços. É a minha paz. O meu amor tranquilo. Viro as costas e sigo. Olho para trás, e acenamos um adeus. Os olhos dele fixam os meus. Olhos em lágrimas. Respira-se fundo. E continuamos o caminho. É um até já. Uma esperança de que a distância, um dia, termine. Uma certeza de que o melhor está para vir.

Depois da viagem, aterro no aeroporto. Escrevo uma mensagem: «Amor, já aterrei. A viagem correu bem!» e começa uma nova jornada com força, coragem e fé.

Dizem que o amor à distância é como os ventos: apaga as velas e acende as grandes fogueiras. E é verdade.

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SOFIA ALMEIDA, a professora
É feita de sonhos, de saudades, de amor. É feita de coragem, de abraços, de risos e de gargalhadas. É feita de bom humor e de algum mimo também. É feita de uns dias melhores e outros assim assim. É um pouco do que lê, do que vê, do que ama, do que guarda. É também um pouco daqueles que ama, daqueles que ouve, daqueles que estão aqui, bem dentro, no seu coração. É feita de algumas fraquezas, algumas conquistas, alguns desafios. É feita de um amanhã, de um hoje e de um ontem, que já passou, mas que faz ainda parte de si. É a Sofia.