Quero-te, mas já não te procuro!

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Fotografia © Dora Nunes | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Dora Nunes | Design © Laura Almeida Azevedo

Sentei me naquela praia vazia de tudo, de pessoas, de sentir, de emoções… Vazia.

Procurava-te. Procurei-te. E sabes? Encontrei-me! Acreditas nisto? Encontrei-me, envolto num laço de cetim prateado, salpicado por cor púrpura.

Sabes quando vais dormir e sentes que o dia foi repleto e completo? Sabes quando procuras o sorriso no brilho dos olhos de alguém? É assim o amor que sinto e que procuro em ti. A brisa solta-me o cabelo preso com o gel feito de pó mágico.

E procurei-te. E encontrei-me. Acreditas nisto? Como é possível ter procurado o teu olhar, o teu sorriso e, pura e simplesmente, ter-me esquecido do meu ser até?

Sabes, sinto-me a flutuar porque me encontrei e não foi em ti. Foi em mim! Acreditas nisto?

Aquele abraço prolongado e silencioso que me deste quando mais precisei? Sabes aquele em que me envolveste num embrulho encantado de sábado à tarde?

E era aí que te procurava, em abraços, em sorrisos, em olhares de cumplicidade! Sempre fui uma pessoa de emoções, de sentir. Sim, porque um homem também sente. E se sente!

É aí que te procuro… E encontrei-me!

O céu sorriu-me hoje de uma forma peculiar, piscou-me o olho e disse–me: encontraste-te! E não é que é verdade?

Tenho as bochechas coladas aos olhos até agora. Um sorriso rasgado que fez magia com o meu dia, com a minha vida. Porquê? Porque me encontrei!

Sabes, na praia procurava o teu calor tórrido daquele dia de verão. O bronzeado do teu corpo parecia uma sereia em busca de uma rede.

Sabes o fogo da paixão que nos arrebata até aos limites do nosso ser mais escondido? Mas tu teimavas em mostrar-me o outono da planície. E procurava-te lá. Queria-te sentada, quieta, abraçada ao nada e à minha espera…

E encontrei-me… Onde? Aqui mesmo. Onde sempre te procurei. Em mim!

E encontrei-me… Encontrei o amor em mim, o fogo arrebatador de alguém que quer sem limites, e quero-te tanto, menina mulher enfeitiçada, que me apaixonou a alma… Se quero! Mas já não te procuro.

E, agora, de alma enfeitiçada e sossegada, quero-te, mas já não te procuro. Encontrei-me! Acreditas nisto?

Sabes a cadeira imaginária onde me sentei? Já não existe… Estou de pé! Encontrei-me!

Quero-te muito, mas já não te procuro. É isto!

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DORA NUNES, a Cinderella
Tem 37 anos e vive em Ponte do Sor — uma «cidade alentejana», diz, «de gente de alma gigante». Trabalha como administrativa num lar de idosos e canta numa banda. Duas terapias que a fazem sentir-se feliz. A escrita surgiu na adolescência. Era uma miúda tímida, com os medos e os anseios tão típicos da «idade do armário». Na escrita, libertava-os, soltava-se. Um desejo? Que cada palavra sua toque o mundo de quem a lê. Sente que a sua missão é ajudar os outros e acredita no lado bom de todos nós. Quem é ela? É a nossa Cinderella!