O coração quer o que o coração quer

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Design © Laura Almeida Azevedo
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«Se já é difícil amar alguém, imagina então amar alguém que te ama de volta.» Estas palavras ecoam na minha cabeça, dia após dia.

O sol tenta dar brilho ao escuro que me persegue. Eu fazia o melhor para abraçar a sua simpatia. É estranho, digo eu, pareço uma cidade fantasma.

Esta tristeza passou por mim como um furacão, deixando tudo de rastos… Não há leis no meio de uma tempestade. As pessoas deitam a mão a tudo para sobreviver antes de fugir… Quem ficar para trás tem de se defender. Como? Não interessa! Só que fui eu que fiquei para trás.

Tal como numa laranja, os gomos da vida nem sempre são doces. Devemos aproveitar e saborear os gomos doces, mas o que fazer com os amargos?

Perde-se muita coisa… Todos nós perdemos.

O coração quer o que o coração quer… Ninguém consegue mudar isso.

Por vezes, damos por nós a trincar uma laranja amarga demais. E, ao invés de a deitar fora, ficamos ali a mastigar, a suportar um sabor horrível…

As nuvens desapareceram. A lua teima em não aparecer. Os pássaros deixaram de voar.

Não vou ficar de cabeça para baixo à espera de deixar cair o que já não interessa.

Está na hora de limpar isto tudo… Será que fico bem? Será que consigo seguir em frente? Será que consigo deixar tudo sem qualquer dano?

«Duvido muito», riposta o coração! E cai uma lágrima, por engano.

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.