Quero-te!

Devemos gritá-lo se preciso for

2023
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo

Como eu queria que tu estivesses aqui! Que eu estivesse aí! Somos duas almas desencontradas, nadando num aquário redondo, segundo após segundo, tempo após tempo. E, dia após dia, correndo sobre este mesmo velho chão.

Um dia, olhei para ti e senti o que tu provocavas em mim. Um sentimento de prazer imenso. Um frio no estômago. Uma sensação de luz. Ao mesmo tempo, louco e maravilhoso, fazendo bater o meu coração mais depressa e cada vez mais, como se quisesse sair do meu peito e partir na tua direção. Dá-me a tua mão, digo-te eu, e caminha comigo ao longo da praia, nesta areia dourada, onde atrás de nós ficam apenas as nossas pegadas, lavadas pela espuma do mar em direção ao sol.

Como eu queria sentir a brisa nos nossos corpos, sentir o sol nas nossas almas, sentir a vida à nossa volta! Nós deveríamos estar juntos e não apenas lado a lado.

A vida passa fugazmente para que a deixemos de viver, para que desperdicemos os segundos que restam dos nossos futuros, os dias que nos faltam perto de quem amamos.

Passamos a vida a ansiar por encontrar a tal pessoa especial, o amor das nossas vidas, o tal ser que nos completa, quando este pode estar à nossa frente. E pode ter estado sempre aí, perto de nós, ao virar de uma esquina, na mesa do café, numa porta que se abre, numa passagem que se atravessa. Não o termos conseguido ver com o coração, nem senti-lo com o nosso olhar.

Nunca deve ser tarde para dizer «quero-te!», nem para dizer «amo-te!».

Hoje, mais do que nunca, sei que não devemos desperdiçar o nosso tempo com coisas que nos são desnecessárias. Supérfluas, até! Devemos apreciar as coisas simples, os gestos singelos da vida e valorizar as gotas de orvalho da manhã, o canto dos pássaros, os raios de sol que nos aquecem o sorriso, a brisa que nos acaricia o rosto, como se de beijos se tratassem.

Não devemos deixar nada por dizer. Devemos gritá-lo se preciso for!

Temos de correr atrás. Não podemos cruzar os braços e ficar sentados à espera de que as coisas aconteçam. Nós é que temos de as fazer acontecer, de as sentir, de as sonhar, de as realizar, de as saborear, de as viver!

Como eu queria ser o vento para correr na tua direção, sem barreiras, portas ou janelas para o impedir! Como eu queria ser o raio de sol que entra pela tua janela, quando a abres em cada manhã! Como eu queria ser uma gota de chuva, que beija o teu rosto e te coloca esse teu belo sorriso nos lábios!

Como eu queria ser o calor do teu coração e a força que faz o teu sangue ferver! Como eu queria ser o teu último pensamento, todos os dias, antes de adormeceres! Como eu queria ser o sentimento, que te provoca borboletas no estômago! Como eu queria ser a sombra, que te coloca o frio na espinha! Como eu queria ser o teu sonho mais agradável! Como eu queria ser a razão do teu sorriso, quando acordas todas as manhãs!

É bom termos o coração quente e o nosso sangue vivo. É bom respirar este sentimento, por todos os poros da nossa pele.

Simplesmente, quero-te!

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CELESTINO MAGALHÃES, o racional
É licenciado em Engenharia Zootécnica, professor de Matemática e Ciências e formador em Tecnologias da Informação. Tem dois mestrados e está num programa de doutoramento em Tecnologia Educativa. Silencioso, independente e organizado, adora ter o controlo de todas as situações — quando é possível. É preocupado com a saúde, com a forma física e diz-se «prudente, meticuloso e racional». É um incorrigível perfecionista. No seu entender, «a busca pela felicidade pessoal pode ser entendida pelos outros como egoísmo». A sua máxima é: «Para ser realizável, basta sonhar!».