Hoje, quis dizer-te o quanto a vida é efémera

Fotografia © Beatriz Rodrigues da Branca | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Beatriz Rodrigues da Branca | Design © Laura Almeida Azevedo

Hoje, pensei em dizer-to. Mas, provavelmente, não precisas que to diga. Sabes, não é? Sabes bem o quanto a vida é breve, curta, efémera. Como gostava que o não tivesses sabido da pior forma! Como gostava de não o saber eu… Permanecer no puro encanto e franca esperança na vida… A tua ausência continua a dilacerar-me a alma por estes dias, quando penso nestas incongruências sobre a efemeridade da vida. Se pudesses, ao menos, saber o quanto te amo. Se pudesses, ao menos, saber que, apesar de tudo, continuas a ser o meu herói… Tenho tantas saudades tuas, porra!

A cada palavra, uma lágrima. A cada linha, um rio. Só te queria aqui, comigo. Ou sem mim. Só te queria aqui. Relembro as cartas que, durante anos, te escrevi. Durante todos estes anos, à falta de uma morada para onde as enviar, guardei-as num saco, no meu quarto de criança. Criança essa que deixei de ser no dia em que me deixaste, no dia em que partiste. E, nesses retalhos, está toda a minha esperança. Toda a minha entrega e devoção à pessoa que, provavelmente, mais fui capaz de amar até hoje.

Eras o meu herói. E és. Só um herói é corajoso para enfrentar o que enfrentaste. Só um herói podia deixar frutos tão ou mais fortes que ele, ao ponto de suportarem a sua ausência. «Um dia, hás de ser grande», dizias-me. Gozava contigo porque sabia que certamente iria crescer. Hoje, entendo onde querias chegar. A idade é um número. A aparência física também não diz por nós o que já vivemos.

Ser grande é viver. Ser grande é ultrapassar as derrotas. Ser grande é saber conviver com a tua ausência, mesmo que doa, mesmo que faças falta. E tu tanta falta me fazes.

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BEATRIZ RODRIGUES DA BRANCA, a controversa
Tem 19 anos e o mundo é ainda tão grande. Aspirante a farmacêutica, «um dia, talvez seja escritora também», diz. Ama os livros, o café, as ciências e as letras. Acredita que podemos ser o que quisermos — e podemos. Está aqui porque aceitou este desafio: superar-se a si própria.