Azul

1924
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo

Se pudéssemos concentrar a nossa vida numa cor, qual seria? Diz-se que a vida deve ser colorida, que deve ser vivida a cores. Concordo na plenitude das palavras. Por vezes, devemos vivê-la com todas as cores misturadas. Noutras, apenas com uma de cada vez.

Há alturas em que a nossa vida parece tão pesada, que ao negro prevalece. Este peso parece tão demasiado, que não sabemos como conseguimos aguentar uma carga tão pesada. É nestas alturas que a nossa vida chama a nossa força e esta é colocada à prova, grita pela nossa coragem e testa-a. Arranjamos forças para transformar os obstáculos em degraus e ultrapassar, mais uma vez, as adversidades.

Há outros dias em que a cor da vida se confunde com o cinzento do céu de inverno e não sabemos onde um acaba uma coisa e a outra começa. Não devemos ficar muito tempo nas zonas cinzentas. São areias movediças cheias de indefinições, onde nos arrastamos em círculos concêntricos sem a nenhum lado chegar. Devemos deixar o cinzento de lado o quanto antes.

Dias há em que o branco nos domina, onde a nossa luz interior suplanta tudo o que nos rodeia e o brilho do nosso sorriso ofusca até os raios de sol mais brilhantes. Somos luz para todos aqueles que nos são próximos.

O amarelo, por vezes, faz-nos adormecer, cair num sono leve, durante o qual os pensamentos flutuam sobre um caminho límbico, tentando organizar-se, seguir o seu rumo e transformando-se em escolhas, em aprendizagens e, por fim, em conhecimento.

Há dias laranja, onde a tonalidade do pôr do sol comanda o destino do dia. O calor das relações humanas e das emoções marca cada inspiração que fazemos, marca cada olhar que roubamos.

A paixão tem cor! Vermelho sangue. Sentimos o calor do sangue a fluir pelo nosso corpo, a respiração do coração como não houvesse amanhã e o zoo do estômago a querer libertar-se da jaula que o suprime.

A nossa liberdade é abraçada pelo verde, onde fluímos, livres das ancoras com o mundo terreno, e onde o nosso interior se liberta do peso que o mantém aguilhoado às coisas mundanas.

Mas, de todas as cores, não há mais especial que a cor azul.

Esta representa a paz do nosso eu, a serenidade do nosso ser.

É a cor do voo das aves. É a cor do calmo mar. É a cor do céu quente de um dia de verão. É a cor do espaço profundo, onde o silêncio impera e a paz lhe faz companhia. É a cor do nosso universo.

É a cor que eu trato por tu, a cor que trago comigo todos os dias, durante todos os segundos!

É a cor da minha alma, a cor da minha alma gémea.

O meu acreditar tem uma cor e essa cor é… azul!

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CELESTINO MAGALHÃES, o racional
É licenciado em Engenharia Zootécnica, professor de Matemática e Ciências e formador em Tecnologias da Informação. Tem dois mestrados e está num programa de doutoramento em Tecnologia Educativa. Silencioso, independente e organizado, adora ter o controlo de todas as situações — quando é possível. É preocupado com a saúde, com a forma física e diz-se «prudente, meticuloso e racional». É um incorrigível perfecionista. No seu entender, «a busca pela felicidade pessoal pode ser entendida pelos outros como egoísmo». A sua máxima é: «Para ser realizável, basta sonhar!».