Manifesto: direito ao amor (recíproco)

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Ilustração © Laura Almeida Azevedo
Ilustração © Laura Almeida Azevedo

Nós, corações desencontrados, renegados, desencorajados, azarados, desajeitados e outros adjetivos que tais, vimos, pelo presente manifesto, reivindicar o direito à reciprocidade no amor.

Estamos cansados de bater com o nariz na porta de corações alheios! Corações ocupados, petrificados, despeitados ou mal-encarados. Queremos um coração de portas abertas para nos receber no seu aconchego, com direito a permanência indeterminada e sem qualquer outra contrapartida além do sentimento correspondido.

Estamos fartos de que nos empurrem para o canto, ou que nos passem rasteira. Não queremos mais o nosso amor desdenhado e espezinhado, nem os nossos corações ultrapassados e vencidos. Chega! Também temos direitos.

Nós, portadores de corações dotados da capacidade (cada vez mais desvalorizada) de amar, temos tanto amor em banho-maria para oferecer. Porquê desperdiçá-lo?

Apenas pedimos dois corações que vibrem numa mesma frequência, dois olhares que espelhem um amor único. Simples, assim. Duas bocas que se procuram, duas mãos que se seguram, dois corpos que se dão. Dois. Um mais um. Não são três, nem quatro! Apenas a soma de duas vontades comuns. Será esta equação assim tão complexa de resolver?

Temos direito a um amor com resposta! Não queremos saber como. Se será o nosso coração que encontrará o de alguém ou o de alguém que encontrará o nosso. O que interessa é que se encontrem algures. Se será a química, a seta do cupido ou uns pozinhos de perlimpimpim a fazer o serviço, pouco importa, desde que aconteça.

Que, nas nossas vidas, haja alguém com quem partilhar as gargalhadas e as vitórias. Que haja alguém com quem dividir a dor e as dificuldades. Merecemos alguém que partilhe connosco o tudo e o nada da vida, os sorrisos e as lágrimas, os sonhos e as desilusões. Exigimos alguém que queira percorrer o caminho ao nosso lado rumo ao desconhecido.

Quem é que decidiu brincar com os nossos frágeis corações e os fez à semelhança das banais meias? Nascem todas com par, mas a maioria acaba desemparelhada nas voltas e reviravoltas da vida. Quem foi o engraçadinho? Onde estão os nossos pares perdidos?

Abaixo aos déspotas de corações, aos manipuladores, aos sabotadores! Basta de opressão! Queremos justiça! Não queremos colecionar desamores. Chega de sofrer em vão! Chega! Temos direito a um amor recíproco!

Caros amigos, corações despedaçados, rasgados, feridos, estilhaçados e desencantados, lutemos juntos por esta causa!

Fim aos amores de sentido único!

Quem se junta a nós?

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.