Ser pai

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Design © Laura Almeida Azevedo
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Ser pai é uma lição de vida, uma experiência única. É cuidar e proteger. Tratar das feridas, ensinar os afetos e os limites. É ser um guia, um farol.

Sim, muitas vezes é duro: as noites em branco, os choros, as cólicas, os medos noturnos. As visitas ao médico e ao hospital. Tem coisas chatas, como trocar as fraldas ou dar biberão às quatro da manhã! Mas é uma experiência fantástica.

É a delicia de ler uma história antes de os deitar, dar-lhes um beijo de boa noite, de lhes aconchegar os lençóis. De os embalar quando lutam contra o sono, de lhes fazer festas no nariz, lentamente, e vê-los fechar os olhos. De lhes sussurrar suavemente ao ouvido uma canção de embalar. De ver as caretas quando provam as primeiras comidas, a primeira sopa.

Ser pai é prazer. De os sentir aninhados no nosso colo. De os deitar em cima do nosso peito quando são bebés e embalá-los. Das brincadeiras: a apanhada, as escondidas, o escorrega e o baloiço. De os ajudar a equilibrar na bicicleta. Dos jogos de bola e das raquetes. Da experiência na praia e do espanto que expressam quando pisam a areia pela primeira vez. Dos mergulhos nas ondas. De construir castelos e túneis na areia. Das pedrinhas e conchas que se apanham e colecionam, infindavelmente. Das gargalhadas e das primeiras palavras. Dos abraços e dos beijos.

Ser pai é o orgulho de os ver crescer. De os ensinar, sobretudo, a aprender. E de aprender com eles. Ser pai é ser aluno e professor.

Adoro ser pai. Acho que nasci para isto. Será que pode ser profissão? Se sim, sou-o desde que nasci. Mas, se for profissão, estraga tudo, porque ser pai não pode ter fins lucrativos. Mesmo que a retribuição seja feita com afetos. E os afetos não devem ser contabilizáveis.

Sou bom pai? Claro que sim! Para eles, com certeza, se concordarem que o seja. Não quero, nem posso impô-lo. Nunca! Para mim, sem dúvida, serei. Afinal, sei-o hoje, nasci para isso. Imodesto, pretensioso? Sem dúvida, mas que raio, por que não sê-lo uma vez na vida?

E não, não sou perfeito. Nunca. Apenas… humano. E ser pai também é errar. Felizmente! Porque assim faz parte e assim se aprende. Sempre.

Mas sei que, apesar de ser pai, eles não me pertencem. São simplesmente, como qualquer um de nós, deles mesmos.

Ser pai também é sobressalto e saudade. Afinal, um dia partirão. Mas estarão sempre presentes.

Ser pai, mais do que ensinar o caminho, é ajudar a descobri-lo. É dar-lhes asas.

Ser pai é a melhor coisa do mundo.

Sou um pai babado. Sou um pai feliz.

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CARLOS DINIZ, o idealista
É informático, mas as letras também o assistem. Adora ler. Lá porque esta é a sua primeira experiência na escrita, não se deixa intimidar. Os desafios são para isso mesmo. Amante do que é natural, aprecia as coisas boas da vida. Acredita que «os sonhos comandam a vida» — e, aqui entre nós, comandam mesmo.