Tempo

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Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo

Dizem que o tempo tudo cura.

Dizem que o tempo é o melhor amigo.

Dizem que o tempo é o melhor confidente.

Sim, tudo isto é verdade! Nada como dar liberdade ao tempo para que ele escreva novas páginas no livro da vida. Por vezes, custa a passar. Noutras, passa a voar. Fecha portas e abre janelas. Ouve as nossas confidencias e lamentos, assim como os nossos desejos mais profundos. Desperta em nós novos sentimentos e emoções, que nos tiram horas de sono, nos colocam o sorriso no rosto ou as lagrimas na face. É o nosso fiel ouvinte. Nunca nos julga. Nunca nos acusa, nem nunca nos aponta o dedo. Apenas nos abraça e nos coloca, de novo, no bom caminho, no caminho das nossas escolhas mais profundas, mais sentidas, bem como nas mais emotivas.

Por vezes, dizemos que a culpa é dele. É mais fácil arranjar quem acarrete com as nossas culpas, mas, quer queiramos, quer não, ter tempo nos dias de hoje é uma preciosidade. Temos de saber guardá-lo como se ele fosse o nosso tesouro, como a água necessária à vida, como o ar que respiramos. Mas de que valem os tesouros se não forem partilhados?

Por isso, o tempo deve ser partilhado com quem nos quer bem, com quem nos faz bem, com o que é bom para nós! Assim, temos por obrigação tornar cada segundo, que passa, o nosso tesouro mais valioso.

Este tempo, que é o meu, está reservado! Reservado para ser partilhado contigo. Sim, contigo. Leste bem! Que me acompanhas durante todos os segundos, que ainda me restam até ao final do meu tempo.

Tu, que me guardas os sonhos.

Tu, que és a dona dos meus sorrisos.

Tu, que deténs o calor do meu sangue.

Tu, que aconchegas o bater do meu coração.

Tu, que me tiras horas de sono, mas que também me fazes dormir tranquilo.

Tu, que te apoderaste de mim, como um raio de sol se apodera das gotas do orvalho matinal.

Tu, que abraças os meus pensamentos.

Tu, que me ouves sem nada reclamar.

Tu, que acompanhas os meus passos.

Tu, que beijas os meus sentimentos, fazendo com que se tornem mais profundos e ainda mais completos.

Tu e o tempo misturam-se, tornando-se impercetíveis as fronteiras, linhas ténues que se perdem no espaço e se fundem com a noite.

Mas será preciso haver fronteiras? Sinceramente, penso que não.

Tu confundes-te com o tempo e o tempo funde-se contigo!

Ambos devem voar livres para sentirem outras alegrias, outras sensações… Voar, voar para fora deste mundo terreno, onde o peso das coisas mundanas não se fará sentir e serão eternos! Sem ses, nem mas para os prender.

O meu tempo és tu!

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CELESTINO MAGALHÃES, o racional
É licenciado em Engenharia Zootécnica, professor de Matemática e Ciências e formador em Tecnologias da Informação. Tem dois mestrados e está num programa de doutoramento em Tecnologia Educativa. Silencioso, independente e organizado, adora ter o controlo de todas as situações — quando é possível. É preocupado com a saúde, com a forma física e diz-se «prudente, meticuloso e racional». É um incorrigível perfecionista. No seu entender, «a busca pela felicidade pessoal pode ser entendida pelos outros como egoísmo». A sua máxima é: «Para ser realizável, basta sonhar!».