Um dia, vais rir-te disto tudo

1921
Fotografia © Ryan McGuire | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Ryan McGuire | Design © Laura Almeida Azevedo

«Um dia, vais-te rir-te disto tudo.»

Cresci a ouvir que, um dia, me ia rir daquilo que agora me tira o sono e me arranca as lágrimas. Cresci a ouvir que o tempo cura tudo e só precisamos de saber esperar. Cresci a ouvir que as pessoas partem, porque tem de ser, é a ordem natural das coisas. Cresci a ouvir que, para uma grande janela se abrir, uma grande porta terá de se fechar. Cresci a ouvir que a vida não é fácil.

E eu cresço e canso-me de esperar. Porque o tempo, em que era suposto rir-me do que agora me entristece, não chega. E eu continuo a chorar pelas partidas da vida numa busca exaustiva do momento em que trocarei as lágrimas pelo riso. Continuo a olhar para as portas fechadas à espera que se abram as grandes janelas, com vista para as mais belas paisagens. Começo a acreditar que é tudo uma utopia. E quanto mais acredito nisso, mais pessoas me dizem «Um dia, vais rir-te disto tudo».

Falta muito?

Comments

comments

PARTILHAR
Artigo anteriorAs estatísticas
Próximo artigoSegue o teu caminho
RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.