Segue o teu caminho

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Fotografia © Dora Nunes | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Dora Nunes | Design © Laura Almeida Azevedo

Vais olhar para trás e lamentar-te pelo que fizeste?

Vais culpar-te por aquela noite tórrida de amor, à qual voltaste as costas com medo de te magoar?

Vais sentir pena de ti própria e repetir, vezes sem conta, na tua cabeça, a palavra que deverias ter dito e simplesmente não disseste?

Vais arrepender-te dos olhares que trocaste e que ficaram perdidos nas gotas de chuva, que caíram na terra infértil?

Vais querer voltar atrás, quando respondeste mal à tua mãe, que agora está velha e repete o discurso vezes sem fim?

Vais desejar que aquela saída de sábado à noite volte atrás, porque deixaste aquele homem monumental sair da discoteca sozinho, apenas porque não tiveste a coragem que deverias ter tido?

Vais chorar, porque não estudaste o suficiente para a prova de português e, agora, podes ter de ir à segunda fase?

Vais querer sentir, de novo, o sabor daquele beijo que alguém te roubou, depois de uma bebida a mais, e sobre o qual nunca mais quiseste pensar, porque estava longe de ti e sabes que não aguentarias a saudade? Achas-te fraca?

Não chores. Não te arrependas. Não te martirizes com o que foi e com que deveria ter sido. Não corras atrás do sonho perdido — o qual te escorreu, por entre os dedos, numa tempestade de confusão. Não te lamentes. Há problemas tão maiores nesta sociedade de aparências, de amores de interesse e de amizades vãs. Não olhes para trás. Olha para o caminho que está à tua frente e que espera pela pessoa corajosa que és.

Marca a diferença neste mundo, em que quase todos estão apenas preocupados com seu próprio “eu” e o sentimento alheio nem sempre é importante. Olha para dentro de ti e alcança aquela menina mulher, que está sempre pronta para a imensidão do mundo que é sentir sem limites e querer o outro sem medida. Aprende a conviver contigo e a gostar de ti. Dá-te aos outros, sem medo de consequências, sem medo de represálias!

Valoriza as tuas aptidões e trabalha as tuas dificuldades.

Cria autodefesas para enfrentares aquela perda de forma tranquila e com fé de que tudo vai melhorar e de que sobrevives à turbulência da cidade, envolta em papel crepe cinzento. Não deixes que te deitem abaixo só porque quem tem luz própria incomoda quem vive no escuro! Alcança a felicidade da forma mais simples. No sorriso mais sincero que tiveres. No carinho que podes dar a quem nem tem a capacidade de o descobrir.

Agora, vai e sê tu mesma.

Agora, vai e segue o teu caminho.

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DORA NUNES, a Cinderella
Tem 37 anos e vive em Ponte do Sor — uma «cidade alentejana», diz, «de gente de alma gigante». Trabalha como administrativa num lar de idosos e canta numa banda. Duas terapias que a fazem sentir-se feliz. A escrita surgiu na adolescência. Era uma miúda tímida, com os medos e os anseios tão típicos da «idade do armário». Na escrita, libertava-os, soltava-se. Um desejo? Que cada palavra sua toque o mundo de quem a lê. Sente que a sua missão é ajudar os outros e acredita no lado bom de todos nós. Quem é ela? É a nossa Cinderella!