Os homens também choram

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Fotografia © Anabela Mata | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Anabela Mata | Design © Laura Almeida Azevedo

E, naquele dia, depois do abraço, o sofá de sempre. Eu sentada. Tu deitado com a cabeça em cima do meu colo. Passávamos horas assim. Eu falava, tu falavas ou éramos silêncio apenas. Outras vezes, punha para ti as músicas que eu ouvia e que tu nem sequer conhecias. Lembro-me das gargalhadas que davas a pensar o que diriam lá fora se te vissem ali, nos nossos momentos.

Naquele dia, depois do abraço, tu deitado no meu colo, começaste num choro sem fim. Nunca te tinha visto chorar! E choraste naquilo que me pareceu um tempo interminável, num silêncio só cortado pelo bater do teu coração acelerado. Puxaste-me a mão para te sentir o peito e, num choro convulsivo, sussurraste: «Já cá está! E é tão grande. E é tão forte e tira-me o ar… Não sei o que fazer com ele!»

E foi, assim, por entre lágrimas e um desespero que te tirava o ar, que disseste pela primeira vez que me amavas. E foi esse o dia em que te apertei fortemente nos meus braços e que te lambi as lágrimas, desejando levar-te todos os medos. E foi esse o dia em que vi o homem-menino, o homem frágil, o homem dor, o homem amor. E foi nesse dia que vi, pela primeira vez, o homem maior.

E, desde esse dia, choraste vezes sem fim, por ti, por mim, por nós. Por um amor que era vida e morte. Por um sentimento que era ar e fogo. Por um viver que era tempo e fim anunciado.

E, desde esse dia, tive a certeza de que o amor maior existe. E, desde esse dia, tive a certeza de que a grandeza de um homem não se mede pela aparência, mas, sim, pelo amor que dá e pelas lágrimas que chora!

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ANABELA MATA, a bella
Ela é uma mulher ativa, vegetariana e adepta da vida saudável. Por isso, adora cozinhar, dançar, viajar e, sim, escrever — para ginasticar as emoções. Escreve com o coração: esse, que sente, ama, sofre, é feliz. Adora sorrir. Quase se poderia dizer que ela é a Bella porque é assim que vê a vida.