Não me ames, deseja-me

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Design © Laura Almeida Azevedo
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Não me ames, deseja-me. Não me sonhes, toca-me. É que do sonho à realidade pode ir apenas um passo, se o amor tiver vontade de saltar o muro da paixão, para cair de para-quedas no mar do desejo.

Liberta-me e, ao mesmo tempo, agarra-me. Quero sentir-me prisioneira dos teus abraços. Quero ficar refém dessa tua cadeia de alimentos, onde o amor é o único alimento que te sacia a fome. Ama-me. Perde-te no meu corpo desvairado, onde a luz do teu olhar sedutor me ilumina a tentação que tenho estampada no sorriso.

Despe-me de todo o meu pudor e veste-me apenas com o véu da sedução, que me fará navegar num mar de ondas pecaminosas. Arranca-me todos os beijos que estavam esquecidos nos meus lábios. Escreve neles o sabor da luxúria, de tanto me desejares.

Ama-me. Procura os pontos cardeais do amor na minha pele deserta. Que os teus dedos desenhem a rosa dos ventos no meu corpo. Faz de cada curva, que encontrares, uma nova estrela e procura, nos recantos que ainda não descobriste, a lua que te mostrará o caminho onde te vais perder.

Ama-me com toda a fome que o passado deixou no teu corpo. Alimenta-te desta paixão que transborda de mim pelo acumulado de tempo não vivido. Ama-me. Podes respirar amor e expirar paixão. Abraça-me. Tapa-me com os teus braços e não me largues mais. Ama-me e não deixes que o tempo nos encontre. Seremos apenas dois amantes perdidos nos caminhos da eternidade de uma paixão.

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.