Ovelha negra

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Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Celestino Magalhães | Design © Laura Almeida Azevedo

Vi o teu rosto no meio da multidão. Poderia ser mais um rosto, mas não. Foi o rosto que sobressaiu, o rosto que marcou a diferença entre os demais!

São estes momentos que marcam os nossos dias, as nossas horas, as nossas vidas. Não podemos, nem devemos ficar indiferentes a estas marcas no nosso ser, na nossa individualidade. Temos de o dizer, de o partilhar, pois estes sentimentos só têm valor quando partilhados. Devemos valorizar mais as pessoas e deixar de lado as coisas. Hoje vive-se muito com as coisas e cada vez menos com as pessoas.

Mal acordamos de manhã, e já estamos atrasados, vivemos comandados pelo relógio, pelo toque, pelo trânsito, pelo tempo, quando deveríamos ser nós a controlá-los. Sim, nós! Não devemos ser escravos das situações, mas, sim, o seu comandante. Todos nós somos feitos da mesma carne, mas não dos mesmos sentimentos. Por isso é que não existem duas pessoas iguais à face da Terra. E ainda bem que assim é.

É bom preservarmos e cultivarmos a nossa individualidade. É esta que nos diferencia e nos faz ser quem somos, pensar como pensamos e agir como agimos. Em suma, faz de nós os seres especiais que somos. Atrevo-me a dizer mais. É nossa obrigação agirmos, sermos e atuarmos de acordo, e sempre de acordo, com os nossos sentimentos, com a nossa consciência. Só a esta devemos responsabilidades.

Hoje em dia, as pessoas acomodaram-se a viver em “rebanho” e a maioria age e pensa pelo que lhes é imposto. Eu prefiro ser aquele que é apontado como «coitado… tão diferente» e sentir «que enorme perda… todos iguais». Pois, com isto, posso dizer que tenho uma vida e não a vida dos outros, ou a vida que os outros querem que eu viva.

Prezo a diferença, pela diferença. Gosto de ser a “ovelha negra” do “rebanho”. Paro, tantas vezes, para olhar à minha volta, observar o que se passa em meu redor com olhos e ouvidos de ver. Sim! A cada dia que passa, cresço com o que observo, aprendo com o que respiro e amadureço com o que sinto.

Por isso, insisto: Vivamos a vida pelo que somos e não pelo que os outros querem que sejamos!

Eu sou autêntico! Não vivo de aparências.

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CELESTINO MAGALHÃES, o racional
É licenciado em Engenharia Zootécnica, professor de Matemática e Ciências e formador em Tecnologias da Informação. Tem dois mestrados e está num programa de doutoramento em Tecnologia Educativa. Silencioso, independente e organizado, adora ter o controlo de todas as situações — quando é possível. É preocupado com a saúde, com a forma física e diz-se «prudente, meticuloso e racional». É um incorrigível perfecionista. No seu entender, «a busca pela felicidade pessoal pode ser entendida pelos outros como egoísmo». A sua máxima é: «Para ser realizável, basta sonhar!».