O tempo muda as pessoas

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Fotografia © Nádia Bento | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Nádia Bento | Design © Laura Almeida Azevedo

É engraçado como o tempo tem o dom de mudar as pessoas. E, quando falo em mudança, não me refiro à mudança física (embora essa seja inevitável e evidente, por mais que uma pessoa não queira), mas, sim, à mudança de pensamentos e mentalidade. À medida que o tempo vai passando, vamos crescendo como pessoas (pelo menos, é no que eu gosto de acreditar) e tornamo-nos capazes de entender aquilo que nos rodeia de uma forma muito mais abrangente.

O tempo é capaz de nos fazer dar valor a coisas, às quais nunca demos muita importância. Por outro lado e aqui entra a parte triste: muitas vezes, o tempo mostra-nos que aquilo, a que dávamos tanta importância na nossa vida, na realidade não a merece. Mas vamos focar-nos na parte feliz: o tempo mostra-nos aquilo a que devemos dar importância e, se nos mantivermos atentos, vamos conseguir perceber as dicas que ele nos dá. E isso, sim. Isso vale a pena. Já alguma vez pararam para pensar na quantidade de coisas boas que nos rodeia? (Confesso: embora me foque muito no negativo, estou a fazer um esforço para melhorar.)

Vou dar um exemplo bastante simples.

Um dia destes, estava a viajar de comboio. Só que, desta vez, não ía a olhar fixamente para o computador, nem para o telemóvel. Ía a apreciar a paisagem e a ouvir música, quando me apercebi (e nunca tinha reparado neste pequeno grande detalhe) de que o comboio estava a passar literalmente ao lado da praia!

Bem, eu adoro praia. Fiquei logo feliz. Mas a parte que verdadeiramente me deixou feliz foi ver o pôr do sol a partir da janela do comboio. Quem é que é capaz de não gostar de um pôr do sol? (Vou acreditar que todos gostam… Já pensaram nas fotografias espetaculares que dá para tirar?) Vi o pôr do sol da minha janela e só conseguia pensar no quanto me sentia feliz, no quanto me sentia grata por viver num mundo onde posso ver um fim do dia tão maravilhoso! (P.S.: Também não conseguia parar de pensar nas fotografias espetaculares que podia tirar, mas isso é um detalhe.)

E, se calhar, podem pensar: «Mas por que raio é assim tão importante ver o pôr do sol?». Bem, não é que seja importante. Mas é algo que me faz feliz. E o que nos faz felizes não é suposto ser importante? Na minha opinião, acho que sim.

Talvez, há uns tempos atrás, eu olhasse para a janela e visse aquelas lindas cores, mas não lhes desse a mais pequena importância. Mas, desde que li no «Principezinho» que o pôr do sol nos faz bem a alma, quem sou eu para o negar? Ninguém. Desde esse dia, o pôr do sol ganhou toda uma nova importância para mim. E algo a que eu simplesmente não dava importância, agora fascina-me.

Para mim, este é um bom exemplo de como o tempo nos muda. Faz-nos mudar de perspetiva nas mais pequenas grandes coisas, como um simples pôr do sol.

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NÁDIA BENTO, a menina de Cascais
Tem 24 anos e nasceu em Cascais. Lembra-se de começar a gostar de escrever depois de ler o primeiro livro do Harry Potter: no final da leitura, meteu as mãos à obra e escreveu um resumo da história do livro — e das outras seis dos restantes livros. Paixões: fotografia, viajar. Um dia, gostava de escrever um livro de literatura juvenil. «É o que mais gosto de ler», diz.