Alentejo

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Desafio-te_CartazMaio_CarlosDiniz_Texto2
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A placa, na autoestrada, dá-me sempre as boas vindas. Busco-a avidamente.

Sinto os teus cheiros a entranharem-se nos pulmões: eis o estio, a terra cálida, as planícies infindáveis. Passo pela sublime paisagem, de um amarelo dourado, das tuas ondulantes searas, celeiro de todos nós.

Aprecio o verde e as sombras das tuas árvores, carvalhos e oliveiras. E dos pinheiros. Dos sobreiros e azinheiras. Do teu montado sem fim. Vejo mil pássaros esvoaçar: garças, milhafres, águias, perdizes, estorninhos e pardais. Cegonhas fazendo os seus ninhos altos.

Percorro os teus Montes, as tuas Serras, Castelos e Fortalezas. Caminhando devagar pelos teus carreiros, aprecio o cheiro das tuas flores e frutos: cheiras a amoras silvestres, papoilas, alecrim e rosmaninho.

Perco-me no Grande Lago, onde, em noites de Luar, deitado no chão, abrindo pernas e braços, és observatório estelar, único no mundo. Velejo pelo teus rios, onde pesco achigãs, carpas e enguias.

Em terras de fronteira, sinto o teu frio cortante, a delícia do calor nos serões à lareira, o som da madeira de azinho crepitante, aconchegando-me. Ou o calor tórrido que me deixa quebrado.

Junto ao mar, os relâmpagos e trovões eriçam-me os cabelos: é pura energia pairando no ar. Observo os teus pastos, onde animais, mais sortudos, pastam em liberdade.

Terra de uma gastronomia sem igual, provo mil variedades de queijo. E o teu pão. Sorvo o teu vinho, cor de sangue, intenso e encorpado, tons de frutos silvestres, taninos redondos e fim de boca prolongado e suave. Degusto a tua comida deliciosa, polvilhada de ervas de odores intensos, coentro, hortelã, poejo e tomilho. Ah! E os teus doces! Sem palavras…

E as tuas gentes são gentis, amáveis e hospitaleiras. Gentes que preservam o teu Cante, o nosso Cante, a nossa cultura, património do Mundo.

Aprecio o esvoaçar das gaivotas, descrevendo círculos sobre os teus promontórios. Contemplo cada pôr do Sol, de cores quentes, à beira-mar, como se fosse o último. Sempre igual, mas sempre diferente. Posso galopar na praia os teus cavalos, de crinas ao vento.

Aqui, o tempo corre devagar, preguiçoso.

És golfinho. És pegada na areia, concha de cores vivas e espraiar das ondas. És um passeio de barco em águas cristalinas, rio abaixo, até ao mar. És farol na escuridão e cabo sentinela. És uma ilha cor de pêssego, em memória de amores perdidos. És terra de amantes, tranquilidade e paraíso.

Amo a tua liberdade, a tua natureza e a tua paz. Alimentas-me a Alma.

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CARLOS DINIZ, o idealista
É informático, mas as letras também o assistem. Adora ler. Lá porque esta é a sua primeira experiência na escrita, não se deixa intimidar. Os desafios são para isso mesmo. Amante do que é natural, aprecia as coisas boas da vida. Acredita que «os sonhos comandam a vida» — e, aqui entre nós, comandam mesmo.