Creio que isto é um adeus

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Fotografia © Nuno Correia | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Nuno Correia | Design © Laura Almeida Azevedo

Nada me entristece mais do que um sorriso forçado e um olhar triste. E é assim que te vejo. Sorriso fantástico, mas forçado. Um olhar terno, doce, mas triste, vazio. De nada me serve o conforto, as palavras, o consolo de que estás bem. Ambos sabemos que não estás.

Dei por mim sentado aqui, neste mesmo sítio, onde nos conhecemos. Continuo a gostar de aqui estar. Sinto-me em casa. Sinto-me completo. É lindo este lugar. Lembra-me de ti, de nós. E apetece-me mergulhar novamente na água cristalina. Apetece-me sentir-te novamente. Tenho saudades das tuas mãos, dos teus lábios doces, do teu olhar terno com medo, cada vez que te aproximavas. Tenho saudades de sentir o teu toque suave. A tua respiração no meu peito parecia seda morna na minha pele. Gostava de ter tempo para voltar mais vezes! Mas creio que isto é um adeus.

Vai. Corre. Luta por ti.

Vou muito pelas minhas convicções e acredito que elas não devem mudar em função do que faz ou não sentido, ou do que as pessoas acham correto ou não. Devemos, sim, ser como somos, como queremos ser e seguir aquilo em que acreditamos. E aquilo em que eu acredito é no amor. Esse renasce cada vez que te vejo, cada vez que te ouço, cada vez que nos olhamos olhos nos olhos. Brilharam tanto os teus olhos na última vez que me sorriste. O meu coração bateu, mais uma vez… e quem sabe se talvez pela última vez.

— Beijoquinhas! Tenho de ir! — disseste-me.

Só consegui sorrir. Pisquei-te o olho e cruzámos os olhares um com o outro. Lentamente, vou deixando de me expor, vou deixando de te abraçar, vou deixando de ouvir, de me ouvir.

Recuso-me a aceitar que seja um adeus.

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.