Tive vontade de matar a saudade

Fotografia © Leeroy | Design © Laura Azevedo Azevedo
Fotografia © Leeroy | Design © Laura Azevedo Azevedo

Hoje, apeteceu-me. Apeteceu-me matar a saudade. Esse mal de que o mundo padece. Esse mal que corrói e dilacera tudo em seu redor. Esse pecado que me inferioriza.

Hoje, quis matá-la. Feri-la como me fere por dentro. Queimá-la como me queima a alma. É a saudade – palavra incrivelmente bela – aquilo de que mais profundo podemos sentir. Queria dizer-to. A eterna saudade que me deixaste é a maior das minhas fraquezas. Oxalá o soubesses.

Injusta e cruel: é apenas como a consigo ver. Se me ousassem dizer que deve ser vista como algo bom, provavelmente, negá-lo-ia até à morte. A saudade é uma dessas coisas com as quais nunca deveríamos ter de lidar – mas a vida tende a pregar-nos partidas a cada nova rua, a cada novo caminho. É devoradora, inconsequente, como se o mundo girasse em torno dela.

Recuso-me a deixar que me atinja na mais profunda essência do meu ser. Seria dar-lhe a vitória. E é por isso que hoje me deito, desejando estar deitada no teu colo. É por isso que hoje durmo, a sonhar que estás aqui.

A vida não parou. E a saudade, essa, também não.

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BEATRIZ RODRIGUES DA BRANCA, a controversa
Tem 19 anos e o mundo é ainda tão grande. Aspirante a farmacêutica, «um dia, talvez seja escritora também», diz. Ama os livros, o café, as ciências e as letras. Acredita que podemos ser o que quisermos — e podemos. Está aqui porque aceitou este desafio: superar-se a si própria.