São os sonhos que me dão asas

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Fotografia © Paulina Lohunko | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Paulina Lohunko | Design © Laura Almeida Azevedo

Ando e continuarei a andar. Caminho e espero, um dia, poder encontrar-me, recusando-me a virar as costas aos meus sonhos, porque são eles os pés deste corpo. São os sonhos que me dão asas para voar até onde o meu coração me quiser levar. Eu, a menina sonhadora, que caminha lado a lado com a sombra de uma mulher sedutora. A mulher que ainda usa a máscara infantil de quem nunca se cruzou, na vida, com um amor verdadeiro. 

Recuso-me a enfrentar o sofrimento quando a culpa não mora em mim. Sou forte, mas começo a ficar cansada de tanto viajar neste comboio dos sonhos. Já parei em tantas estações.

Eu, que sempre vivi uma vida calma, uma existência morna, um viver sem quaisquer aventuras, onde nada acontece e nem sequer um sonho cresce. Eu pensava que vivia, mas, afinal, apenas sobrevivia num corpo que era um fantasma a quem a vida nada oferecia, num mundo onde ninguém me reconhece. A minha vida para mim era uma brisa suave que ninguém sentia, um vazio que nada preenchia, a música que nem eu já ouvia. Carregava esse peso numa bagagem que nada continha, de onde até os sonhos, por vezes, fugiam e onde não se multiplicavam quaisquer emoções.

Mas ando e continuarei a andar. Caminho e espero, um dia, poder encontrar-me, recusando-me a virar as costas aos meus sonhos. São eles os pés deste corpo.

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.