
Estende os teus horizontes. Sim, estende-os. Não te peço que os alargues, dá sempre um ar forçado. Mas estende-os, por encostas e colinas, cascatas e vales. Sai do lugar, desajusta-te. Faz o que está certo. Não o que está certo para o mundo — o que está certo para ti.
E, dito isto, estendi eu os meus horizontes. Abracei um projeto: aquele que achei certo para mim. Sempre foi essa a minha liberdade: ser o que quisesse. Nunca me privaram das ideias ou das emoções. Sempre me disseram que podia ser o que quisesse. Levei a premissa mais longe e decidi que podia ser aquilo a que me propusesse. Foi assim que escolhi o que estudo — pensei que, no futuro, seria o que me deixaria feliz. E será. Estou certa disso.
Mas há certas paixões que não se devem deixar de parte. A escrita, para mim, é uma delas. Não é algo que eu possa propriamente arrumar numa gaveta e ir buscar daqui a uns anos. É algo que me está intrínseco — algo que não se desprende, como o gancho que trago hoje no cabelo. Algo que não derrete, como um gelado ao sol. E, como esta paixão, há outras: são, definitivamente, algo que não se deve deixar morrer.
Peço-te que sigas as tuas. Mesmo que tenhas de lutar contra o mundo, não as deixes de parte. Imploro. Deixares que se percam é perderes-te também. De que servem as ambições que os outros têm para ti se não lhes tiveres interesse? De que serve tentares ser algo que não és, ou fazer algo que não gostas?
E por isso te peço: afasta-te do teu porto seguro, segue o que faz o teu coração bater. De que serve não levares uma vida de que gostes? Mexe-te, estende os teus horizontes — sempre. E mais: não desistas do que realmente amas só porque decidiste seguir por um trilho diferente. Estás sempre a tempo de voltar atrás — ou de simplesmente seguir em frente.




